:: Elisabeth Cavalcante ::
Todos aqueles que se iniciam no caminho do autoconhecimento e chegam à prática da meditação sabem que a mente é o principal obstáculo nesta jornada.
Rapidamente descobrem que quanto mais lutam para silenciá-la, mais forte a torrente de pensamentos se apresenta. Alguns mestres do Oriente costumam dizer que a mente é um cavalo selvagem, impossível de ser domado, pois, quanto mais tentamos ter domínio sobre ele, mais ele se rebela e foge de nosso controle. Como fazer, então, para conseguir que o fluxo de pensamentos silencie? A mente é especialista em truques, por essa razão precisamos recorrer ao mesmo método para fazer com que ela deixe de estar no comando. O segredo é parar de dar energia à mente, e isto só é possível quando mudamos o foco de nossa atenção. Ao invés de nos identificarmos com os pensamentos, emitindo julgamentos sobre eles, devemos assumir a postura do observador sentado à beira de uma estrada, olhando os automóveis que passam. Ele está ali, simplesmente, sem qualquer identificação com o que vê. Este exercício, quando praticado continuamente, fará com que os pensamentos se tornem cada vez mais escassos, até que desapareçam e fique em seu lugar apenas o silêncio, o vazio. É neste momento que uma nova dimensão de nosso ser começa a ser tocada, sem que seja necessário qualquer esforço ou luta. O relaxamento total e a ausência de expectativas e desejos é o segredo para que adentremos na dimensão da consciência. Aos poucos, este estado de paz se tornará cada vez mais constante e os insights intuitivos passarão a fazer parte de nosso cotidiano, algo natural, como sempre deveria ter sido. A única maneira de se libertar do sofrimento, é entender que a mente e o ego são aspectos de nossa natureza sobre os quais precisamos ter total domínio, e não o contrário. Mas isto só será possível se nos dispusermos a assumir a posição de mestres de nós mesmos, sem depender de mais ninguém. "...Seus pensamentos têm de compreender uma única coisa: que você não está interessado neles. No momento em que você tiver firmado isso, você terá alcançado uma grande vitória. Simplesmente observe. Não diga nada aos pensamentos. Não julgue. Não condene. Não os mande embora. Deixe-os fazer o que quer que estejam fazendo, qualquer ginástica - deixe-os fazerem; você simplesmente observa e desfruta. Trata-se de um belo filme. E você se surpreenderá: simplesmente observando, chega um momento em que os pensamentos não mais estarão presentes, não haverá nada para observar. Essa é a porta que tenho chamado de nada, de vazio. Por essa porta entra o seu ser verdadeiro, o mestre. E esse mestre é absolutamente positivo; em suas mãos, tudo se transforma em ouro. ...Assim, você não pode fazer nada diretamente com a mente. Você terá que dar umas voltinhas; primeiro você tem de trazer o mestre para dentro. Está faltando o mestre e, durante séculos, o serviçal pensou que ele era o mestre. Simplesmente, deixe o mestre entrar e o serviçal, imediatamente, compreenderá. Basta a presença do mestre e o serviçal cai aos pés do mestre e espera por alguma ordem, qualquer coisa que o mestre queira que seja feito - ele está pronto. A mente é um instrumento tremendamente poderoso. Nenhum computador é tão poderoso quanto a mente do homem - não pode ser, porque ele é feito pela mente do homem. Nada pode ser, porque tudo é feito pela mente humana. Uma única mente humana tem tão imensa capacidade: num pequeno crânio, um cérebro tão pequeno, pode conter todas as informações contidas em todas as bibliotecas da Terra - e essa informação não é tão pequena assim. ...Mas o resultado desse imenso presente ao homem não tem sido benéfico - porque o mestre está ausente e o serviçal está comandando o espetáculo. O resultado é guerras, violência, assassinatos, estupros. O homem está vivendo num pesadelo, e o único meio de sair disso é trazer o mestre para dentro. Ele está aí, você tem apenas de puxá-lo para si. E a observação é a chave: simplesmente observe a mente. No momento em que não houver nenhum pensamento, imediatamente, você será capaz de se ver - não enquanto mente, mas como algo além, algo transcendental à mente. E uma vez que você esteja sintonizado com o transcendental, então, a mente está em suas mãos. Ela pode ser imensamente criativa. Ela pode fazer, desta própria Terra, o Paraíso. Não há nenhuma necessidade de qualquer Paraíso a ser procurado lá em cima nas nuvens, assim como não há necessidade de se procurar por qualquer inferno - porque o inferno nós já o criamos. Estamos vivendo nele. ...As pessoas ainda continuam pensando que o inferno está em algum outro lugar, debaixo da Terra - e você está vivendo nele... Você pode transformar este inferno em céu se a sua mente puder estar sob a direção do mestre, de sua própria natureza. E trata-se de um processo simples... Mas não tente diretamente com a mente, caso contrário, você estará entrando numa encrenca. A pessoa pode até entrar na insanidade... Não toque na mente. Primeiramente, apenas descubra onde está o mestre... Deixe o mestre estar presente e a mente funciona como um serviçal, muito perfeitamente. No Oriente, nós fizemos isso. Gautama, O Buda, poderia ter-se tornado Albert Einstein sem nenhuma dificuldade; ele era um gênio muito maior. Mas toda a sua vida foi devotada à transformação das pessoas, para dentro da consciência, para dentro da compaixão, para dentro do amor, para dentro da bem-aventurança". OSHO - The Osho Upanishad. |
quinta-feira, 21 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
O SIMBOLISMO DA ÁGUA
Autor: Hugo Lapa (Atendimento com terapia de vidas passadas)
A água é uma substância formada pela combinação de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. A água é, portanto, formada por dois gases. Ela pode se apresentar no estado sólido, líquido e gasoso. O estado líquido, porém, é o mais abundante no mundo. A água é tão essencial a vida que, caso a água desaparecesse do planeta Terra, nenhum ser vivo poderia manter-se existindo.
A água era considerada um dos quatro elementos fundamentais no mundo antigo, dos quais tudo o que existe teria procedência. A importância da água pode ser verificada nas ideias do filósofo Tales de Mileto, que dizia que “tudo é água” e “tudo começa na água”. Tales inaugurou a tendência filosófica que buscavam entender a chamada physis, um conceito que significa natureza, mas que depois foi traduzida como “física”, por ser o conhecimento que buscava explicar a origem das coisas do mundo.
O simbolismo da água é bem vasto, assim como o simbolismo de todos os outros elementos. Na antiguidade, ela estava associada ao começo do mundo. Em Gênesis, “o espírito de Deus pairava por sobre as águas” (GN 1:2). Ela era considerada as águas primordiais, de onde tudo surgiu. Ela também foi associada ao caos primordial, o meio líquido que originou todas as coisas. Esse simbolismo das águas primordiais, ou do “oceano das origens” é praticamente universal, sendo encontrado em dezenas de culturas arcaicas.
O aspecto gerador da água encontra correspondência no útero materno, quando um novo ser está em gestação. Nesse sentido, encontramos o líquido amniótico, que é o meio líquido que abriga o surgimento de uma nova vida, um novo nascimento.
Na mitologia egípcia, o monte primordial surgiu das águas primordiais. Na tradição indiana, a água é o veículo do chamado “ovo do mundo”, o meio que gerou todo o mundo. De acordo com este significado, a água representa o meio através do qual todas as coisas surgiram. Ela foi, dessa forma, uma matéria prima para a criação do mundo, ou pelo menos um dos meios pelos quais o mundo pôde ser gerado. Nesse sentido, a água se apresenta como a fonte de onde tudo proveio, o embrião original.
De acordo com Chevalier & Gheerbrant, a água é o símbolo da infinitude dos possíveis, ou seja, ela é o potencial que guarda, em estado latente, todas as possibilidades. Os textos hindus clássicos afirmam que “tudo era água” no início, indicando a água como a matéria-prima original. Aqui a água simboliza um inesgotável reservatório de energia primeva de onde tudo brotou. A ciência moderna considera que a vida na Terra começou primeiro na água, com o desenvolvimento dos primeiros seres aquáticos que posteriormente foram deixando os mares e iniciando sua existência na terra e no ar. Assim, o simbolismo da água com o significado do germe da vida encontra eco nas pesquisas científicas.
A água primordial, no entanto, não é a água física, mas um elemento sutil sem início nem fim. Os textos hindus deixam claro que, para que exista esse potencial formativo, é preciso não haver limites. Por isso, diz-se no Taoísmo que “as vastas águas não tinham margens”. Ainda dentro desse sentido gerador, a água representa a fertilidade, a fecundidade, a boa colheita, o crescimento da semeadura.
Diferentemente da terra e do ar, o fogo e a água são considerados agentes de transformação do mundo. Nesse sentido, a água possui uma estreita relação com o simbolismo da lua, que muda constante e periodicamente. Diz-se que as marés obedecem as fases da lua. No Tarot, a carta da lua aparece com uma poça de água no solo, indicando a associação que há entre ambas. A água é maleável, pode se adaptar a qualquer meio sólido, tomando a forma do lugar em que se encontre. Por isso se diz que ela seja um agente se transformação e adaptação ao novo.
Mesmo sendo a água fraca, maleável, fluida, ela pode, com o passar do tempo, até mesmo desgastar a rocha mais rígida, que não sabe ceder e permanece fixa e imóvel em seu lugar. Lao Tsé expressa divinamente o significado da água dentro de sua capacidade adaptativa e como isso pode servir de lição ao ser humano:
“A virtude verdadeira é como a água
Em silêncio se adapta, ao nível inferior
Que os homens desprezam
Ocupa os lugares mais baixos que os homens detestam.
Acomoda-se onde ninguém quer permanecer.
Serve a todos e a tudo, não exige nada.”
Mas o simbolismo da água encontra mais um significado que é praticamente universal: a água como um meio de regeneração. Essa representação é bem conhecida na passagem bíblica que cita o batismo de Jesus no rio Jordão por João Batista. Não por acaso esse evento é reconhecido como o início do caminho messiânico de Jesus. João Batista acatou o apelo de Jesus para que o batizasse nas águas, mesmo acreditando que não era digno de batizar Jesus. Após a imersão na água, os evangelhos contam que uma pomba branca sobrevoou os céus, representando assim a liberdade do espírito conquistada após o ato. Nesse momento, Jesus teria sido regenerado em corpo, emoções e mente, e aberto as portas de sua consciência para sua missão. Aqui está bem caracterizado o simbolismo da água como meio de regeneração, ela cura, purifica e faz renascer.
Como diz Chevalier: “A imersão [na água] é regeneradora, opera um renascimento, por ser ela, ao mesmo tempo, morte e vida. A água apaga a história, pois restabelece o ser num novo estado. A imersão é comparável à deposição do Cristo no Santo Sepulcro: ele ressucita, depois dessa descida nas entranhas da terra. A água é símbolo da regeneração: a água batismal conduz explicitamente a um novo nascimento”. Aqui vemos a representação da água viva, da fonte da juventude.
A água também se expressa no seu ciclo universal. Ela vive nas entranhas da terra, brota para rios e lagoas e desemboca no mar. A água se liquefaz e se torna vapor. Sobe aos céus, se condensa em nuvens. As nuvens se agrupam e formam a nuvem de chuva, que se precipitam sobre o solo jorrando a água de volta à terra novamente em estado líquido. E posteriormente isso se repete infinitamente. Na descrição do ciclo da água vemos uma representação bastante clara do próprio ciclo da alma. A alma estava no mundo celeste, ao que se precipita e desce à Terra, para animar a matéria sólida. Ao término de sua missão, retoma o estado “gasoso” quando abandona o corpo e se assume novamente como espírito em ascensão aos céus. Vemos uma boa figuração da doutrina da reencarnação da alma expressa pelo ciclo das águas.
domingo, 17 de junho de 2012
Autor: Hugo Lapa (Atendimento com terapia de vidas passadas)
Desde muito tempo, podemos mesmo dizer vários milênios, a humanidade convive com um conhecimento esoterico reservado a um número seleto de indivíduos. Esse conhecimento é considerado sigiloso, secreto ou proibido às massas. A maioria das pessoas encontrar-se-ia ainda distante desse conhecimento. As organizações esotéricas ou iniciáticas sempre consideraram o segredo como algo de extrema importância; uma importância vital e essencial e obrigam discípulos a prestar votos solenes de sigilo do que veem nos templos ou na instrução direta da relação guru-discípulo.
Esse conhecimento foi denominado por vários nomes ao longo da história e sua existência é comum a praticamente todas as culturas antigas e modernas. Até mesmo a ciência atual se vale do sigilo em muitas circunstâncias, atualmente em pesquisas armamentistas, como tecnologias de destruição em massa, como a bomba atômica. Não há dúvida de que esse tipo de conhecimento deveria ser reservado apenas a pessoas de moral elevada; pessoas de bem e sem qualquer intenção de provocar estragos a grupos humanos, países ou a humanidade em geral.
Muitas pessoas que ficam sabendo desse conhecimento secreto têm muitas dúvidas do porquê de sua existência; algumas chegam mesmo a desejar adquirir esse saber, pois algo muito profundo deve estar escondido aí. Outras pessoas chegam mesmo a atacar os portadores dos “mistérios”, taxando todos eles de charlatões, embusteiros e gananciosos. Chega-se a acreditar que os iniciados nos mistérios formariam uma classe superior em nossa sociedade e usariam de artíficios políticos e ideológicos para esconder certas verdades das massas, tendo como único objetivo a preservação de sua condição de superioridade, possivelmente conferida pelos conhecimentos ocultos.
Por outro lado, os iniciados afirmam que o objetivo do sigilo não é a criação de uma elite, uma classe detentora de poder suficiente para dominar uma parte do mundo ou quase a sua totalidade. Muitos ocultistas defendem o sigilo como algo imprescindível no esoterismo e procuram justificar esses motivos de várias formas. Outros ainda afirmam que o mistério não é algo intencional, mas faz parte da própria realidade de uma sabedoria mais profunda. Em outras palavras, só existe o conhecimento oculto porque, dizem alguns iniciados, as pessoas comuns são incapazes de percebe-los. Caso possuíssem capacidades psíquicas desenvolvidas; caso sua moral fosse refinada; caso sua consciência fosse elevada; caso sua intenção fosse pura e cristalina, qualquer indivíduo teria acesso à sabedoria que jaz oculta no coração do cosmos. Assim, não há uma ocultação de conhecimentos especiais, há uma inabilidade de se percebe-los e compreende-los.
Dizem os iniciados que tudo está plenamente revelado. Um dos maiores iniciados que passou pela Terra, Jesus, o Cristo, disse isso em palavras extremamente simples e mesmo assim só pôde ser compreendido por poucos indivíduos. Jesus disse que sua mensagem era destinada àqueles que tinham “olhos para ver e ouvidos para ouvir”. Com essa frase, Jesus deixa claro que o conteúdo dos seus ensinamentos não poderia ser compreendido por todas as pessoas, mas apenas aquelas que tivessem uma visão das coisas e uma capacidade de escuta mais profunda da vida. Há outra passagem onde Jesus faz uma referência mais explícita ao saber arcano. Diz ele aos seus discípulos: “A vós vos é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus, mas aos outros apenas é dado conhecer por parábolas, para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam”. Fica claro nessa passagem que existiam duas formas de ensinar: uma aberta e pública, que qualquer pessoa poderia ouvir, ver e compreender. E outra mais restrita, onde apenas algumas pessoas seriam capazes de vislumbrar além do superficial e do aparente.
Nesta oportunidade vamos enumerar alguns dos principais motivos do sigilo, para que fique claro à maioria das pessoas que não são versadas em esoterismo e ocultismo:
1 – A primeira razão mais forte, já nos adiantamos nesse texto, é a clara noção de que o iniciado oculta o conhecimento pelo simples motivo de que o não-iniciado não poderia compreende-lo. De que adiantaria para um físico debater mecânica quântica com uma pessoa que nunca estudou qualquer noção básica de física? Para que possa existir algum entendimento a esse respeito, o iniciado deve modificar sua linguagem e adaptar certos conceitos dentro da realidade do leigo, transmitindo-o de modo que possa ser visualizado em parte através de meios não-técnicos. Assim, é importante enfatizar que o conhecimento é sempre transmitido de alguma forma, mas sempre de um modo acessível ao grau de consciência de cada indivíduo. Por este motivo, encontramos o saber oculto escondido em símbolos, alegorias, parábolas, mitos, contos de fadas, dentre outros. Jesus enfatizou a necessidade de se expressar em parábolas, pois essa era uma maneira de ser compreendido por todos. Como sua mensagem deveria ser universal, revestiu-se de um caráter simbólico, para que qualquer um pudesse ter acesso a ela, apesar de não conseguir entende-la prontamente, mas possivelmente após uma mais ampla reflexão. O mesmo ocorre quando um adulto se expressa para uma criança, principalmente ao falar de assuntos mais profundos. O universo psicológico infantil é rico em símbolos, as crianças soltam facilmente a sua imaginação e por isso, muitas vezes, entendem as coisas de uma forma diferente da forma do adulto. Por este motivo, os símbolos são o veículo que o iniciado se vale para transmitir algo que, por outros meios, seria muito difícil de assimilar. Assim, há um texto indiano que resume bem essa ideia: “Naquele tempo, Brama o senhor anunciou: A doutrina que vou revelar excede em muito as possibilidades de um espírito comum; segredo dos segredos, ela não deve ser divulgada, mas reservada ao homem de bem que, fechado para a ilusão do mundo, apenas deseja entende-la.”
2 – Outro motivo claro do sigilo é a possibilidade do não-iniciado distorcer o conhecimento revelado. Como o leigo tem pouca clareza, não possui o devido preparo e o conhecimento adequado, ele fatalmente iria distorcer e adulterar aquilo que aprendeu. O mesmo processo pode ser facilmente percebido na sociedade humana. Ensine a uma pessoa não versada em filosofia os conceitos mais profundos do platonismo. Inevitavelmente e sem qualquer intenção de faze-lo, há imensa probabilidade dos conceitos serem distorcidos, posto que, para apreender o sentido mais central e nuclear, é necessário conhecer um contexto maior, que só pode ser conquistado através de uma leitura mais apurada, algo que o leigo não possui. Dessa forma, caso o não-iniciado fosse passar o saber recebido a outra pessoa, inevitavelmente iria distorce-lo, ensinando de uma forma equivocada aquilo que recebeu.
3 – Mesmo que o conhecimento fosse revelado ao espírito comum, nenhum proveito ele poderia tirar disso, já que lhe carecem os meios de, em primeiro lugar, compreende-lo, e em segundo lugar, utiliza-lo de forma útil e proveitosa. Dessa forma, nenhum utilidade teria um conhecimento que não pode ser usado para um objetivo maior. Seria mero conhecimento ou cultura inútil, algo vazio de significado, uso e função.
4 – Revelar um conhecimento secreto a um homem superficial poderia ser perigoso para ele e para os outros. Há muitos conhecimentos que, caindo em mãos erradas, de aproveitadores e charlatães, poderiam causar estragos nas pessoas que dele fazem um emprego indevido. Por analogia, o conhecimento da fabricação da bomba atômica seria algo terrível nas mãos de terroristas. Todo poder outorgado à pessoas que não sabem usa-lo ou que desejam alguma vantagem pode ser extremamente arriscado e comprometedor. Ninguém duvida do estrago que um revólver poderia fazer nas mãos de um maníaco ou um psicopata, ou mesmo um carro que corre a 200 km por hora nas mãos de um motorista amador. Quanto maior o poder, mais apta a pessoa deve estar para fazer o uso correto daquilo que possui. Pierre Riffard diz: “A água afoga quem não sabe nadar e transporta quem sabe”. Um homem comum, recepcionando um conhecimento e uma técnica muito além de suas capacidades de penetração e dos efeitos que isso poderia gerar, pode arruinar sua vida, colocar em xeque sua integridade física e mental, além de levar outros com ele. Sabendo-se que o instrução arcana gera incrível poder, é necessário oculta-la de pessoas orgulhosas, arrogantes, que buscam apenas seus interesses pessoais e egoístas. O sábio Ibn Arabi diz: “Esse tipo de conhecimento espiritual deve ser encoberto para a maioria dos homens, devido a sua sublimidade. Por que essas profundezas são difíceis de atingir e os perigos são grandes”.
5 – Uma outra razão do sigilo seria a possibilidade de uma pessoa alheia ao círculo interno causar certa perturbação aos iniciados, ou mesmo ataca-los, critica-los e agredi-los de várias formas. Assistimos com pesar a esse tipo de investida contra a sabedoria esotérica em grandes proporções na Idade Média. Tudo o que entrasse em contradição com as regras pré-estabelecidas deveria ser banido de pronto. Obviamente nos dias de hoje felizmente tudo está mais flexível e por esse motivo, muito do que antes era oculto, agora começa a ser descortinado e ensinado abertamente. Os iniciados desejam ardentemente que a sabedoria arcana seja revelada o mais amplamente possível, mas isso só pode ser realizado no momento certo, quando existir um terreno fértil para que as sementes plantadas possam germinar livremente. Semear em terrenos secos e pobres em nutrientes nada poderá trazer de produtivo. Por isso, conhecimentos avançados podem ofuscar o homem comum. Clarificando sua consciência, ele pode não gostar de encarar seus limites e ver a verdade. Assim, pode se tornar agressivo por ter seu interior desnudado e agir contra aqueles que o tentaram ajudar mostrando-lhe sua própria realidade. Não vemos esse tipo de comportamento distribuido abundamente em todos os setores da vida humana? A luz pode ofuscar as trevas e as trevas podem reagir em forte oposição. Jesus fala abertamente sobre isso “Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e voltando-se contra vós, vos despedassem” (Matheus 7,6).
6 – Uma razão muito importante do sigilo é o valor da preparação que se deve dispensar à conquista da sabedoria. Os místicos e iniciados permanecem anos, décadas e mesmo várias existências corpóreas preparando-se para avançar em consciência e rrecepcionar uma sabedoria mais profunda dos mistérios da vida. É como um estudante que estuda horas diárias a matéria de uma prova que o habilitá para o ingresso numa universidade, onde obterá conhecimentos mais avançados. Diz Pierre Riffard: “A disciplina do arcano representa um exercício espiritual, uma prova iniciática.” Assim, muitas Ordens tradicionais e escolas de mistério possuem um sistema de graus de estudo e prática. Uma pessoa que se encontre no segundo grau e pule para o décimo grau, não terá a devida preparação e tampouco o entendimento para receber os ensinamentos concernentes ao grau mais adiantado. É necessário bastante tempo de estudo e prática, geralmente em forma de exercícios psicoespirituais, práticas de meditação e muitas outras formas de experimentação, tal como a transmutação do nosso karma. Toda essa preparação vai aos poucos refinando a consciência do praticante, tornando-a mais sensível ao ensinamento sutil, fazendo com que novas e profundas verdades, que antes passavam despercebidas, agora sejam panoramicamente vislumbradas. As Ordens Iniciáticas não procuram descrever a verdade para seus discipulos, elas ensinam que a verdade, enquanto verdade, é intransmissível pela via intelectual: apenas um saber direto pode ser eficaz. Por isso, as organizações e confrarias não conduzem seus alunos ao final da estrada, e evitam mencionar com detalhes o que será encontrado. Antes de tudo, os mestres dessas Ordens apontam o caminho que o discípulo deve percorrer e informam sobre os melhores meios para segui-lo. Assim, o conhecimento arcano é como um caminho, ele não representa um fim em si mesmo, mas uma passagem para algo além; algo que pode apenas ser apreciado pelo próprio individuo.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
O Que Quase Todos Somos e o Que Podemos Ser
Autor: Arthur Buchsbaum[1]

A busca é um estado, não um caminho...
Quase todos nós temos opiniões, ou acreditamos tê-las, mas, essencialmente, não as temos, simplesmente porque quase nunca as mesmas vieram, dentro de nós, como um produto de elaborada reflexão, mas sim como uma repetição de idéias vindas de outrem.
Todo ser humano nasce dentro de uma dada comunidade, com todas as suas idiossincrasias específicas, com sua etnia ou etnias predominantes, seu corpo de idéias de origem religiosa, seus valores morais, e seus hábitos em geral. Após chegar à idade adulta, e por toda a sua breve vida, este ser humano irá preservar, em geral, quase todas estas idiossincrasias, continuará adotando as mesmas crenças religiosas, os mesmos valores morais e os mesmos hábitos que adquiriu ao longo de sua infância e adolescência através de sua comunidade de origem. Na melhor das hipóteses, se tiver o privilégio de freqüentar uma universidade ou alguma instituição afim, terá alguns arremedos de reflexão, fará algumas superficiais elucubrações "filosóficas", mas a sua idiossincrasia ideológica, adquirida no começo de sua vida, ficará quase intacta.
Poderá “filosofar”, assim como as crianças brincam com joguinhos de montagem, combinará certas idéias pré-fabricadas e poderá montá-las, dentro de resultados previamente determinados pelos seus fabricantes.

Na verdade a vida de cada ser humano já está previamente programada desde o seu nascimento. Quais serão as suas opiniões, os seus hábitos, as suas respostas diante de determinados estímulos, as suas “opiniões”, as suas crenças, inclusive as de origem religiosa. A sua eventual rebeldia. Se não irá se casar, ou com quem se casará. Como será pai ou mãe. Que tipo de família irá constituir, ou se permanecerá sozinho. As suas atitudes morais. A sua atitude política. Os seus arremedos “filosóficos”.
Poucos, muito poucos, conseguem romper esta forte crisálida, e tornarem-se verdadeiros homens ou mulheres, enfim verdadeiros filósofos. Bem poucos deixam de ser “pinóquios” ou “pinóquias”, isto é, homens e mulheres de mentira, e conseguem tornarem-se verdadeiros seres humanos, isto é, aqueles capazes de exercer reflexão própria.
Existem muitos “filósofos”, bem como professores de “filosofia” com habilidades intelectuais e loquacidade, capazes de escrever “bons” artigos e até livros, mas que ainda não conseguiram superar a essencial mentira que constitui as suas breves vidas, pois não possuem, além dos seus hábeis arremedos, algo que possa ser considerado reflexão genuína. Agem essencialmente segundo o senso comum da maioria, conforme o condicionamento adquirido comum a todos os seus colegas “pinóquios” e “pinóquias”.
Se tal “filósofo” for brasileiro, ele(a) geralmente apreciará torcer pelos seus timinhos de futebol, irá a barzinhos onde poderá excitar as suas emoções com shows musicais, e onde poderá degustar os seus alcoólicos drinques. Terá as mesmas opiniões políticas da maioria, mas certamente enfeitadas com a sua intelectual loquacidade, adquirida em seus anos de “superior” educação. Eventualmente irá buscar outras formas de excitação com mulatas(os) e escolas de samba. Será o maior prazer que poderá gozar em suas falsas vidas, a eventual excitação de suas emoções, de seu sexo, ou até de seu intelectozinho. Tal excitação irá encobrir a sua sempre presente pobreza de espírito, a mentira em que se tornou sua vida. Pois jamais conseguiu conhecer a si mesmo(a), embora possa até ter lecionado as idéias de Sócrates e Platão, em suas “bem” elaboradas aulas. Jamais soube o que é realmente a sua alma. Limitou toda a sua vida a imitar o que aprendeu desde criança, eventualmente enfeitando isto com os seus arremedos intelectuais e sua loquacidade. Poderá emitir opiniões acreditando serem as suas próprias; quanto maior for a sua loquacidade, melhor será o embuste.
Quase ninguém o sabe, mas todos nós somos essencialmente robôs, somos “pinóquios” e “pinóquias”, bonequinhos de corda que cumprem zelosamente a programação que recebemos da sociedade circundante ao longo de nossas infâncias e adolescências. Até eventuais formas de rebeldia estão incluídas nesta quase sempre sutil programação, pois tanto a adesão como a rebeldia são duas faces da mesma moeda, ambas são movimentos condicionados, e, portanto, não livres.
A Verdade só pode ser alcançada pela Liberdade, pela emancipação de todas as idéias e hábitos adquiridos sem reflexão. A Liberdade só pode ser atingida pela superação de toda alienação, de toda cegueira. Todo este entulho, todas estas falsas idéias, só pode ser removido pelo verdadeiro espírito científico, pelo inabalável compromisso com a Verdade, pela férrea determinação de trespassar todo o condicionamento. Pelo questionamento, pela indagação de quem verdadeiramente ele ou ela é. Pelo desprender-se de todas as ilusões, por mais bonitas que as mesmas possam ser. Pelo conhecimento de si próprio.
Uma possível ferramenta para sermos capazes de superar todo o condicionamento limitante, para adquirirmos uma capacidade de reflexão aguda e forte, para desenvolvermos em nós o espírito científico, está no estudo da Lógica, especialmente da Lógica Formal. O espírito científico é necessário para a libertação, mas não é suficiente, pois só uma inabalável vontade, uma conscientização da mentira de todo condicionamento, um autêntico espírito religioso, é que pode dar a nós a força motriz inicial para esta jornada sem fim que é a descoberta da Verdade.
O espírito religioso é a vontade inabalável de alcançar a essência de tudo, e o espírito científico é o discernimento, a capacidade de distinguir o que é verdadeiro do que é falso. O primeiro pode conter o segundo, mas a recíproca não é verdadeira.

Autor: Arthur Buchsbaum
email: arthurrovabu-pub@yahoo.com.br
Veja mais detalhes sobre o autor nas notas abaixo.
Notas:
[1] O autor é professor universitário, e suas áreas de interesse abrangem Matemática, Lógica, Filosofia e Teosofia, entre outros assuntos.
O CÍRCULO MÁGICO
“Quem quer colher rosas
deve suportar os espinhos."
Provérbio Chinês
Autor: José Laércio do Egito

Em quase todas as tradições mágicas, traçar o círculo é uma das primeiras tarefas que se deve aprender.
Traçar o círculo precede qualquer ritual mágico, consiste em um meio de estabelecer uma ponte entre o mundo físico e o mundo dos deuses, entre o visível e o invisível, de facilitar a conexão com outros planos. Tem por objetivo manter a energia coesa evitando que forças espúrias perturbem de alguma forma o ritual e os participantes.

O Círculo também é o melhor meio de preservar e conter a energia criada durante um ritual, por isso é imprescindível em qualquer prática ritualística. Ele pode ser estabelecido em qualquer lugar, em especial onde algum ritual, ou celebração vai ser realizada, em reuniões de pessoas, ou mesmo individualmente; no exterior ou no interior da casa, em especial em torno no quarto de dormir, em volta da cama. Importante que à noite seja feito em torno da cama do casal (evita a ação dos sugadores de energia), e do leito das crianças.

Toda a área que for escolhida para algum procedimento mágico deve ser limpo, consagrado, e delimitado, neste caso pela efetivação de um círculo mágico, que compreende o primeiro passo para uma cerimônia mágica.
O Círculo mágico tem 2 funções básicas:
Proteção contra influências hostis, distrações externas, e das influências psíquicas.
Contenção e fortalecimento as energias “criadas” e invocadas no ritual.O círculo mágico – círculo de poder – tem a função não deixar que energias contrárias perturbem, ou causem algum problema no decorrer de um ritual. Ele define o espaço do ritual; o perímetro do círculo que marca a delimitação onde a atenção é focalizada. A função protetora do círculo é criar um espaço sagrado para os participantes especialmente os que estejam com algum distúrbio energético. O círculo mágico está posicionado entre os mundos da realidade concreta e o mundo dos Deuses. Dentro dele o Bruxo fica além de tempo, limite, e espaço.
Uma das finalidades do circulo mágico – também chamado de círculo de poder – visa fortalecer, intensificar a ação das energias, assim como reter modelos energéticos criados e invocados no ritual, e ainda mais, defender os presentes de influências hostis.
O círculo mágico posiciona os integrantes entre o mundo da realidade concerta e o mundo mágico, mundo dos deuses. É um meio de defesa contra entidades tenebrosas, habitantes dos palácios da impureza, seres sugadores (vampiros energéticos), pois quando é traçado e fechado não pode ser rompido e nem transposto por nenhuma não física.
O emprego do circulo mágico não se restringe a ambientes ritualísticos, podem ser de grande utilidade em muitos lugares, por exemplo, em torno do quarto de dormir, ou do leito, toda noite antes, como meio de proteção astral, e em qualquer lugar de meditação, concentração, etc. Com ele evita-se influencias negativas de seres espúrios. Pode ser feito ao redor da cama e mesmo ao redor do quarto,
Nos rituais mágicos precisamos do “circulo de poder” para garantir nossa proteção durante nossos rituais, pois, quando ele feito, nada pode os atacar, além do mais, nada sai e nada entra nele.
O circulo mágico pela forma circular não tem começo e nem fim; deve ser visualizado no momento de sua abertura, como uma espécie de bolha que penetra no solo e vai até o alto, acima da cabeça. A energia ficará contida dentro dele cuja presença poderá ser facilmente constatada. Conforme o grau de sensibilidade pessoal, pode ser vista uma cetra coloração, algo tremeluzindo, ou mesmo certa temperatura dentro dele.
Sempre é dentro do circulo que devem ser procedidas às cerimônias ritualísticas, por ser um lugar sagrado e defendido energeticamente.
O Iniciado tem como sua melhor arma o Círculo mágico, que em todo momento ele vive construindo, pela sua imensa utilidade não apenas em rituais, mas em vários momentos. Quando a pessoa se sente ameaçada, a sua primeira iniciativa deve ser a de construir um circulo e se posicionar dentro dele (neste caso por razões óbvias deve ser elaborado mentalmente). A razão é pela impraticidade de ser laborado fisicamente em muitos lugares e algumas vezes sucessivamente se a ameaça estiver se deslocando. O “mago” constrói mentalmente e se visualiza deslocando-se conjuntamente com o circulo.
Quando se viaja é sempre bom construir um circulo mágico envolvendo o veiculo, isso pode evitar muitos imprevistos e se acontecer às pessoas já estão devidamente sob a proteção contra seres indesejáveis. Também de grande significação é construí-lo em volta de uma pessoa muito doente, pois isso afasta os “vampiros energéticos”. Também quando vai ser efetuada uma cirurgia, ou qualquer procedimento que envolva sangue. Há dele em torno do leito de morte, por ser um momento em que a pessoa está quase totalmente indefesa contra ataques energéticos promovido por sugadores de energia.
Assim que o óbito é constatado a primeira iniciativa deve ser elaborar o circulo mágico, se ele ainda não houver sido feito. Assim se evita a invasão de “sugadores de energia” que tentam sugar para si a energia vital emanada. O não iniciado se entrega a lamentações, vezes ao desespero, e muitas manifestações histéricas. Mas o Iniciado não age assim porque ele sabe que não tais exteriorizações sentimentais não defendem contra vampiros energéticos, e nem trazem a vida de volta, portanto para nada serve, a não ser para descarregar a tensão retida. Assim sendo, em vez de lamentações histéricas, é muito mais efetivo por em execução alguns procedimentos mágicos, entres eles a constituição de um circulo mágico protetor.
Na ritualística cristã, os momentos finais da pessoa, e até o seu sepultamente usam-se velas (elemento fogo), mas o mago sabiamente com discreção faz uso não apenas do elemento fogo, mas discretamente também dos demais. Para isso ele pode usar uma vasilha com água, para o elemento água. Se por algum motivo for inconveniente a presença de um recipiente com água, esta pode se fazer presente numa gota em uma pétala de flor, numa esponja, ou algo assim. O ar pode ser assinalado com a fumaça de um incenso (incenso por ele mesmo já encerra o elementos fogo e a fumaça – ar – além da vibração positiva que ele pode imprimir ao ambiente). Se houver indagações do porquê do incenso diga que é para perfumar o ambiente na eventualidade da exalação de algum odor desagradável. Na verdade isso é verdade, porque a par do ladgo vibratório ele perfuma o ambiente. Para o elemento terra é fácil no ambiente se colocar uma pedra sob algum pretexto, ou mesmo colocar um pequeno cristal discretamente em torno da cabeça. Um minúsculo cristal passa totalmente despercebido.

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Recolhimento Sagrado Feminino
“O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo
assim como a água está para a Terra."
“O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo
assim como a água está para a Terra."
Autora: Tatiana Menkaiká[1]
Observando os ciclos de nosso corpo, entramos em sintonia com o corpo maior e organismo vivo e pulsante que é a Mãe Terra.
Nós, mulheres, carregamos em nosso corpo todas as Luas, todos os ciclos, o poder do renascimento e da morte.
Aprendemos com nossas ancestrais que temos nosso tempo de contemplação interior quando, como a Lua Nova, nos recolhemos em busca de nossos sonhos e sentimentos mais profundos. As emoções, o corpo, a natureza são alterados conforme a Lua.
Nas tradições antigas, o Tempo da Lua era o momento em que a mulher não estava apta a conceber, era um período de descanço, onde se recolhiam de seus afazeres cotidianos para poderem se renovar. "É o tempo sagrado da mulher", o período menstrual, conforme nos conta Jamie Sams, "durante o qual ela é honrada como sendo a Mãe da Energia Criativa". O ciclo feminino é como a teia da vida e seu sangue está para seu corpo assim como a água está para a Terra. A mulher, através dos tempos, é o símbolo da abundância, fertilidade e nutrição. Ela é a tecelã, é a sonhadora.
Nas tradições nativas norte-americanas há as "Tendas Negras", ou "Tendas da Lua", momento em que as mulheres da tribo recolhem-se em seu período menstrual. É o momento do recolhimento sagrado de comtemplação onde honram os dons recebidos, compartem visões, sonhos, sentimentos, conectam-se com suas ancestrais e sábias da tribo. São elas que sonham por toda a tribo, devido ao poder visionário despertado nesse período. O negro é a cor relacionada à mulher na Roda da Cura. Também são recebidas nas tendas as meninas em seu primeiro ciclo menstrual para que conheçam o significado de ser mulher. Esse recolhimento não é observado somente entre as nativas norte-americanas, mas também entre várias outras culturas.
Diversos ritos de passagem marcam a vida de meninas nativas no seu primeiro ciclo menstrual. Entre os Juruna, quando a Lua Nova aponta no céu, é momento de as meninas se recolherem para suas casas. As meninas kanamari, do Amazonas, também ficam reclusas enquanto dura seu primeiro sangramento, sendo alimentadas somente pela mãe. Assim ocorrem com as meninas tukúna que nesse período de reclusão aprendem os afazeres e a essência do que é ser uma mulher adulta. Observa-se, em alguns casos, como parte do rito, cortar o cabelo e pintar o corpo de negro. São ritos de honra à mulher, e não o afastamento das mesmas pela impureza, como foi mal-interpretado por muitas outras culturas, principalmente a nossa ocidental extremamente influenciada pelos valores cristãos.
Nossos corpos mudam nesse período, fluem nossas emoções e estamos mais abertas a compartilhar com outras mulheres, como uma conexão fraternal. Ao observarmos nossos ciclos em relação à Lua , veremos que a maioria das mulheres que não adotam métodos artificiais de contracepção e que fluem integradas ao ciclo lunar, têm seu Tempo de Lua durante a Lua Nova. É importante observarmos como fluímos com a energia da Lua e seus ciclos, e em que período do ciclo lunar menstruamos. A menstruação é um chamado do nosso corpo ao recolhimento, assim como a Lua Nova é um período de introspecção, propício ao retiro e à reflexão. A Lua Cheia proporciona expansão e, se nossos corpos estão em sintonia com as energias naturais, é o período em que estaremos férteis.
Quantas mulheres atualmente deixaram de observar os ciclos do próprio corpo? Quantas deixaram de conectar-se com as forças da natureza, deixaram de lado a riqueza desse período de introspecção, recolhimento e contemplação de si mesmas? No nosso Tempo de Lua sonhamos mais, estamos mais abertas à sabedoria que carregamos de nossas ancestrais. Aproveite esse período para conhecer e explorar seu interior, agradecendo os dons e habilidades que possui. Compartilhe com outras mulheres esses momentos sagrados de respeito e fraternidade. Ouse sonhar e exercer seu lado visionária. Note que ao estar em conexão com todas as mulheres e com a própria Mãe Terra, muitos sintomas tidos como incômodos vão desaparecendo. Muitos destes sintomas são a rejeição desse período. Com a competição resultante dos valores da sociedade moderna, muitas de nós esqueceram de ouvir a si mesmas, de sentir a necessidade de seus próprios corpos e corações.
Para finalizar, segue um trecho sobre a Tenda da Lua, de Jamie Sams, falando-nos sobre a importância desse ciclo de religação com a Terra e a Lua:
"O verdadeiro sentido dessa conexão ficou perdido em nosso mundo moderno. Na minha opinião, muitos dos problemas que as mulheres enfrentam, relacionados aos órgãos sexuais, poderiam ser aliviados se elas voltassem a respeitar a necessidade de retiro e de religação com a sua verdadeira Mãe e Avó, que vêm a ser respectivamente a Terra e a Lua. As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva. Ao confiar nos ciclos dos seus corpos e permitir que as sensações venham à tona dentro deles, as mulheres vêm sendo videntes e oráculos de suas tribos há séculos. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade".
Publicado na Revista Viva Melhor, especial sobre Xamanismo.
Autora: Tatiana Menkaiká
Site da autora: http://www.xamanismo.org
domingo, 6 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
TERRA NOSSA CASA
Hoje é o Dia da Terra. Não custa nada cuidar melhor dela!
Olhe bem para essa Bolinha Azul. De longe, é uma esfera azulada, pincelada de branco. De perto, é nossa casa, o local onde respiramos e passamos toda nossa vida. Suspensa no espaço, desde o começo dos tempos ela gira. A cada volta ela se transforma. Olhe bem para essa Bolinha Azul, porque hoje é dia dela!

Se fosse possível sair da Terra, veríamos essa bela imagem. Tudo que temos e amamos está ali. Nossas músicas prediletas, nossos amigos, aquela praia maravilhosa, aquele sorriso simples, os brinquedos no parque, os amores que temos e os que já se foram. Tudo, absolutamente tudo está nessa Bolinha Azul.
Ultimamente, não temos cuidado muito bem dela. Temos sido muito egoístas achando que a Bolinha aguenta todos os nossos desaforos e nossa ganância.
Em nome do progresso, desmatamos as florestas e poluímos os rios. E em nome da comodidade produzimos quantidades astronômicas de lixo que não temos mais onde colocar. Ironicamente, em nome de uma suposta "qualidade de vida" estamos imersos na poluição. E a Bolinha Azul aguentando nossos desmandos.
Hoje é o Dia da Terra e apesar de ser uma data simbólica, bem que podíamos fazer um esforcinho e cuidar um pouquinho mais dela. Atitudes pequenas como não jogar papel na rua, diminuir o uso do carro ou apagar as luzes ao sair da sala podem parecer pequenas, mas se cada um de nós fizer essa gentileza, a Bolinha Azul continuará girando saudável, pronta para guardar os melhores momentos da nossa vida. Não custa tentar. Experimente!
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SUPER LEGAL ISSO
saúde & bem
Como a idade faz nosso cérebro florescer
A ciência conseguiu identificar a base neurológica da sabedoria. A partir da meia-idade as pessoas podem até esquecer nomes, mas tornam-se – acredite – mais inteligentes
MARCELA BUSCATO. COM BRUNO SEGADILHA E TERESA PEROSA

A partir de um certo momento da vida, que, para a maioria de nós, começa depois do aniversário de 40 anos, a grande questão neurológica se resume a uma pergunta: aonde diabos foram parar todos os nomes que eu esqueço? No início, desaparece o nome de uma atriz famosa. Depois, some o nome dos filmes que ela fez. Mais adiante, você não consegue achar no mar de neurônios o nome do famoso marido dela, muito menos o do outro ator, manjadíssimo, com quem ela contracenou em seu trabalho mais célebre. A débâcle ocorre no almoço de domingo em que você se percebe, diante da cara divertida de seus filhos, tentando explicar: “Aquele filme, com aquela atriz australiana, casada com aquele outro ator...”.
Essa, você já sabe – ou vai descobrir dentro de algumas décadas –, é a parte chata de um cérebro que bateu na meia-idade. Ela vem junto com muitas piadas e uma dose elevada de ansiedade em relação ao futuro. O que você não sabe, mas vai descobrir nas próximas páginas, é que existe outro lado, inteiramente positivo, das transformações cerebrais trazidas pelo tempo. “Conforme envelhecemos, o cérebro se reorganiza e passa a agir e pensar de maneira diferente. Essa reestruturação nos torna mais inteligentes, calmos e felizes”, diz a americana Barbara Strauch, autora deO melhor cérebro da sua vida. O livro, recém-lançado no Brasil pela editora Zahar, reúne argumentos que fazem a ideia de envelhecer – sobretudo do ponto de vista intelectual – bem menos assustadora do que costuma ser.
Editora de saúde do jornal The New York Times, um dos mais influentes dos Estados Unidos, Barbara resolveu investigar o que estava acontecendo com seu cérebro. Aos 56 anos, estava cansada de passar pela vergonha de encontrar um conhecido, lembrar o que haviam comido na última vez em que jantaram juntos, mas não ter a mínima ideia de como se chamava o cidadão. Queria entender por que se pegava parada em frente a um armário sem saber o que tinha ido buscar. Barbara não entendia como o mesmo cérebro que lhe causava lapsos de memória tão evidentes decidira, nos últimos tempos, presenteá-la com habilidades de raciocínio igualmente surpreendentes. Ela sentia que, simplesmente, “sabia das coisas”, mas, ao mesmo tempo, se exasperava com a quantidade imensa de nomes e referências que pareciam estar sumindo na neblina da memória. Como pode ser?
A capacidade de manter informações enraizadas em nossa
mente não sofre dano algum com a passagem do tempo
É provável que essa mesma pergunta já tenha passado pela cabeça de muitos que chegaram aos 40 anos rumo às fronteiras da meia-idade, um período cada vez mais dilatado em que podemos passar um tempo enorme de nossa existência. Com o aumento da expectativa de vida, a fase intermediária da vida, entre os 40 e os 68 anos, tornou-se uma espécie de apogeu. Nesses anos é possível aliar o vigor reminiscente da juventude à sabedoria da velhice que se insinua – desde que se saiba identificar, e abraçar, as mudanças que acometem o cérebro maduro. Ele já não é o mesmo que costumava ser. Mas as mudanças o transformaram num instrumento melhor. “Para o ignorante, a velhice é o inverno; para o sábio, é a estação de colheita”, diz o Talmude.
A jornalista Marília Gabriela, considerada a melhor entrevistadora do país, é especialista nas delícias e nos suplícios de um cérebro de meia-idade: “Eu não sei se é a idade ou se é o excesso de informações, mas eu esqueço o que as pessoas me dizem”. Aos 63 anos, Gabi, como é mais conhecida, pode até se esquecer de detalhes de conversas, mas mantém o raciocínio afiado para encurralar políticos e celebridades nos três programas apresentados por ela semanalmente. “Hoje, sou capaz de fazer análises rápidas sobre aspectos que as pessoas nem precisam me explicar”, afirma. “Leio nas entrelinhas, pego pelo olhar.”

A nova ciência do envelhecimento, retratada por Barbara em seu livro, conseguiu decifrar o caráter das mudanças por trás dessas percepções aparentemente contraditórias. Os pesquisadores aproveitaram a popularização das técnicas de ressonância magnética – nos últimos 15 anos, o número de estudos aumentou dez vezes – para flagrar o cérebro em pleno funcionamento. Eles descobriram que, sim, há um desgaste natural das células nervosas como se pensava. Mas ele é localizado e circunscrito, assim como seus prejuízos à mente.
Um estudo feito pela equipe do neurocientista americano John Morrison, da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, analisou o que acontece com alguns pequenos botões localizados no corpo dos neurônios. Eles ajudam a captar as informações. Os cientistas descobriram que apenas um tipo desses botões sofre com o envelhecimento. São os menores, envolvidos no processamento de novas informações – onde parei o carro, onde estão as chaves ou como chama a nova namorada do meu amigo? Quase 50% desses receptores perdem a atividade. Mas outro tipo, encarregado de lembrar de grandes acontecimentos e de informações enraizadas em nossa mente, como habilidades profissionais, não sofre dano algum.
Se alguns neurônios podem ser danificados pelo tempo, há outros – até mesmo regiões inteiras do cérebro – que passam a funcionar melhor. “O raciocínio complexo, usado para analisar uma situação e encontrar soluções, é aprimorado”, diz o psiquiatra americano Gary Small, diretor do Centro de Envelhecimento da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
Aos 49 anos, o artista plástico Vik Muniz está no auge de sua carreira. O sucesso, claro, é consequência da carreira produtiva iniciada aos 20 anos. Mas as habilidades aprimoradas por seu cérebro ao longo dos anos também têm seu quinhão de influência sobre o sucesso recente. Em 2008, foi o primeiro brasileiro a organizar uma mostra no museu de arte moderna de Nova York, o MoMa. Em 2007, começou o projeto Fotografias do Lixo no Jardim Gramacho, uma comunidade de catadores de lixo no Rio de Janeiro. Muniz recriou os personagens que encontrou e produziu algumas de suas mais belas obras. O processo de trabalho foi filmado e virou o documentário Lixo extraordinário, que concorreu ao Oscar da categoria neste ano. “Agora, sou uma pessoa mais focada e objetiva. Vou diretamente aos assuntos, não tenho tempo a perder”, diz Muniz. “Em poucos minutos de conversa já sei, por exemplo, com quem conseguirei desenvolver uma relação mais íntima.”

Um casal de pesquisadores comprovou o que Barbara, Gabi e Muniz sentem na prática. Os psicólogos americanos Warner Schaie e Sherry Willis, professores da Universidade de Washington, criaram em 1956 um projeto de pesquisa para acompanhar o desenvolvimento de 6 mil voluntários durante décadas. Esse tipo de estudo é o mais preciso que existe, uma vez que permite aos cientistas avaliar quanto uma pessoa amadureceu emocionalmente e quais habilidades cognitivas aprimorou.
A cada sete anos, Warner e Sherry submetiam os voluntários a uma bateria de testes de inteligência. Eles tinham de responder a questões que mediam a habilidade verbal (encontrar sinônimos para uma palavra), a memória verbal (lembrar palavras lidas em uma lista), a orientação espacial (virar símbolos e objetos), a capacidade de resolver problemas (completar sequências lógicas) e a habilidade numérica (problemas de adição e subtração).
Entre os 40 e os 60 anos, as habilidades verbal
e de resolução de problemas melhoram muito
A compilação de anos de estudo mostrou que os voluntários tiveram melhor desempenho em três habilidades – verbal, espacial e resolução de problemas – entre os 1940 anos e 1960 anos. Após esse período, havia um declínio nítido na pontuação dos voluntários. Mas cada pessoa apresentava um declínio maior em uma ou duas habilidades, nunca em todas as cinco.
No auge da vida
Pesquisadores acompanharam 6 mil voluntários por 50 anos. Descobriram que habilidades associadas à inteligência chegam ao ápice na meia-idade
Fontes: Schaie, K. W. & Zanjani, F. (2006). Intellectual development across adulthood, In c. Hoare (Ed.), Oxford handbook of adult development and learning. (pp. 99-122) New York: Oxford University Press
As transformações do cérebro que explicam a melhora das habilidades cognitivas durante a meia-idade estão entre as descobertas mais interessantes da ciência nos últimos tempos. Elas revelam as origens biológicas da sabedoria trazida pela maturidade. Os cientistas descobriram que a facilidade para raciocínios complexos pode ser explicada por mudanças físicas no cérebro. A camada de mielina, um tipo de gordura que reveste as células nervosas e faz com que as informações viagem mais rápido, aumenta progressivamente com o passar dos anos e atinge seu pico por volta dos 50 anos. “No começo da vida, os circuitos motores e os encarregados pela fala recebem a maior parte da mielina”, diz o neurologista George Bartzokis, pesquisador da Universidade da Califórnia, responsável pela descoberta. “À medida que envelhecemos, os circuitos que permitem analisar contextos e que nos fazem ficar mais espertos são os que recebem mais mielina.”
Os pesquisadores também descobriram que, conforme envelhecemos, mudamos o padrão de ativação cerebral. Isso significa que acionamos áreas diferentes das usadas anteriormente para fazer as mesmas tarefas. A região frontal do cérebro, encarregada da racionalidade, passa a concentrar a maior parte das atividades. A área posterior da cabeça, onde estão algumas das estruturas ligadas a nossas respostas emocionais, é acionada com menos frequência. Outra mudança significativa: para realizar a mesma tarefa de adultos jovens (de até 30 anos), os mais velhos usam mais áreas do cérebro. Em vez de usar regiões de apenas uma metade do cérebro, passam a usar as duas. Os cientistas ainda não estão certos sobre o que essas mudanças representam. Há duas possibilidades. A primeira, menos agradável, é que o cérebro esteja ficando velho a ponto de não reconhecer mais as áreas encarregadas de cada atividade. A segunda hipótese é mais reconfortante: o cérebro pode, sim, estar ficando velho. Mas, ao redirecionar funções para áreas diferentes e para mais regiões, dá mostras de que é capaz de se adaptar e manter seu bom funcionamento.
“Não sabemos qual das duas hipóteses é verdadeira”, diz a neurocientista Cheryl Grady, pesquisadora da Universidade de Toronto, no Canadá, e uma das primeiras a notar mudanças no padrão de ativação. “Provavelmente, as duas estão certas. Para algumas tarefas, o cérebro pode perder a precisão. Para outras, pode usar mecanismos compensatórios.”
É irresistível pensar que, talvez, a superativação do cérebro, representada pelo uso simultâneo de várias áreas, possa estar por trás das melhoras de raciocínio relatadas por quem está na meia-idade – e comprovadas pelos pesquisadores. Os cientistas descobriram que um sistema muito especial do cérebro, formado por circuitos localizados em camadas profundas do órgão, está constantemente ativado nos adultos de meia-idade. O sistema, chamado de modo- padrão, é usado nos momentos de reflexão, quando pensamos sobre o que aconteceu recentemente, fazemos balanços e traçamos planos para nós mesmos. Os pesquisadores concluíram que os adultos simplesmente não conseguem desligar o modo-padrão, algo que os jovens fazem quando estão envolvidos em uma tarefa. Os adultos, mesmo quando estão concentrados, continuam o bate-papo interno com eles mesmos.
“O modo-padrão do cérebro ainda é um completo mistério”, diz a neurocientista Patricia Reuter-Lorenz, pesquisadora da Universidade de Michigan. Estar em constante reflexão pode nos tornar distraídos, mas também pode ajudar a ter boas ideias. Isso explicaria por que adultos de meia-idade têm o raciocínio afiado, embora não lembrem onde puseram a carteira.
O cérebro de meia-idade pode ganhar habilidades surpreendentes conforme envelhecemos, mas isso não acontece com todos. Os cientistas perceberam que só os adultos que sempre tiveram hábitos saudáveis e vida intelectual ativa apresentaram a superativação. Há indícios de que a prática frequente de exercícios físicos promove o nascimento de novos neurônios em uma região do cérebro associada à memória. E atividades que desafiam o cérebro, como aprender uma nova língua ou até mesmo exercícios de memória, evitam que áreas do cérebro “enferrugem”. É como se essas atividades criassem uma reserva de neurônios que pode ser usada pelo cérebro quando ele entra em declínio. “Se a pessoa conseguiu criar uma boa reserva, é provável que tenha mais mecanismos para suprir deficiências causadas pelo envelhecimento”, diz o neurologista Ivan Okamoto, pesquisador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo.
Adultos que têm hábitos saudáveis e mente ativa
mostram cérebro de alto desempenho na meia-idade
Há poucos anos, a meia-idade costumava ser considerada uma fase de crises, desencadeadas pela percepção dos primeiros lapsos de memória. Eles seriam sinal inequívoco da aproximação da velhice e, consequentemente, da morte. A percepção da brevidade da vida despertaria um conjunto de comportamentos chamado pelo psicólogo canadense Elliott Jaques de crise da meia-idade – sim, a famosa. Entre os sintomas descritos por Jaques no artigo de 1965 que deu origem ao termo estão “preocupação doentia com a saúde e a aparência”, “promiscuidade sexual” e “ausência de verdadeiro prazer em viver”. Esse tipo de comportamento pode ser facilmente encontrado entre pessoas de meia-idade, mas o conceito não tem base científica.
Jaques propôs sua teoria ao analisar casos de artistas que teriam mudado o estilo de suas obras após os 40 anos – um grupo pequeno e específico demais. Um dos estudos mais abrangentes a averiguar o nível de bem-estar nessa fase da vida mostrou que a maioria das pessoas se diz mais feliz do que antes. Segundo levantamento com 8 mil americanos da Fundação MacArthur, instituição privada de fomento à pesquisa nos Estados Unidos, apenas 5% dos entrevistados apresentavam reclamações. E, mesmo entre esses, a maioria já enfrentara problemas semelhantes em outras épocas – o que isentaria a culpa da meia-idade.
Aos 52 anos, o físico Marcelo Gleiser, professor do Dartmouth College, nos Estados Unidos, diz ter encontrado serenidade, e não angústia. “Quando você fica mais velho, torna-se mais calmo e seguro”, afirma. Ele diz ser capaz de escolher desafios com mais critério, para concentrar tempo e energia em problemas que possa resolver. “Conhecer os próprios limites dá paz de espírito.” Os estudos de neurociência sugerem que essa pacificação interior também está relacionada a alterações do cérebro. A equipe da psicóloga Mara Mather, da Universidade do Sul da Califórnia, mostrou imagens tristes e repulsivas a voluntários maduros e a jovens. Concluiu que nos mais velhos a área do cérebro responsável pelas emoções reagia menos às figuras negativas. Concluiu que era um sistema de proteção. O cérebro parecia escolher dar menos atenção ao lado ruim da vida. Há nisso mais inteligência e sabedoria do que um cérebro jovem talvez seja capaz de perceber.


sábado, 21 de abril de 2012
Qual Deusa ou Deus Egípcio você é?
Postado por Maria Afonso em 21 abril 2012 às 20:28
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Confira na tabela abaixo qual deus egípcio corresponde ao dia de seu aniversário.
Veja quais as influências positivas e negativas dos deuses sobre sua personalidade.
Deusa Bastet
(de 16 de janeiro a 15 de fevereiro)
Representa o poder benéfico dos raios do sol; é uma das esposas de Rá, divindade dos gatos selvagens, com muita agilidade e vigor. As pessoas que nasceram sob sua proteção são bondosas, humanitárias, leais e muito cordiais e gostam de trabalhar em favor dos mais fracos. São independentes como os gatos, gostam de carinho, mas se mantêm muito distantes; são geralmente alegres e divertidos, gostam de brincar e têm aptidão para a carreira artística. Devem controlar a rebeldia.
Deusa Tauret
(de 16 de fevereiro a 15 de março)
A deusa da felicidade, protetora das mulheres grávidas, do nascimento, do renascimento no reino dos mortos, o Duad. As pessoas que nasceram sob sua proteção têm grande sensibilidade e intuição, tendência para assuntos místicos, esotéricos, astrológicos ou mágicos. Elas têm enorme bondade e capacidade de entendimento; possuem um olhar profundo e doce. As pessoas devem desenvolver essa capacidade inata em prol do bem ao próximo, mas devem evitar desperdício de energia.
Deusa Sekhmet
(de 16 de março a 15 de abril)
A poderosa deusa da força e da guerra, encarregada de destruir os inimigos de Rá e do faraó, é considerada o olho do sol. As pessoas nascidas sob sua proteção têm consciência da própria força, da grande vitalidade e potência física; são igualmente portadoras de grande magnetismo, com senso de organização e muita energia, aventureiras ou inovadoras. É necessário ter cuidado com os excessos, com os impulsos descontrolados, para não destruírem o que está a sua volta . Só encontram o equilíbrio com o casamento. A energia e a força devem ser usadas para construir o bem próprio e dos outros.
Deus Ptah
( de 16 de abril a 15 de maio)
O grande deus da fertilidade masculina, criador de tudo que existe. Ele representa as forças criadoras espirituais, sendo considerado o Grande Construtor ou Divino Artesão, protetor das belas-artes e dos artistas. As pessoas que nasceram sob sua proteção têm firmeza de temperamento, paciência, perseverança, um grande talento para as artes e tudo que se relaciona à construção de objetos. Para alcançar a felicidade devem canalizar todas as virtudes para a realização de coisas que tenham valor espiritual e despertem sentimentos de beleza e harmonia; caso contrário, correm o risco de se transformarem em pessoas que vivem em constante insatisfação e não se realizam. No amor, encontrarão a felicidade quando conseguirem satisfazer sua exigente capacidade sexual.
Deus Toth
(de 16 de maio a 15 de junho)
É uma divindade auto-concebida, que apareceu no mundo sobre uma flor de lótus, no amanhecer dos tempos. É um dos deuses primordiais. É o senhor das palavras, criador da fala e da escrita, deus do tempo e das medidas, criador de todas as ciências, portador das forças civilizadoras. É representado como um homem com cabeça de Íbis, a ave sagrada. Por ter recuperado o olho de Rá, que tinha fugido para Núbia na forma de Tefnut, como prêmio o deus Rá deu a Toth a Lua, e o transformou no deus do disco branco, governador das estrelas; também foi advogado do deus assassinado, Osíris, e de seu filho Hórus. As pessoas nascidas sob sua proteção têm grande capacidade de comunicação e uma inteligência rápida e penetrante. Seus protegidos têm uma natureza dupla, nervosa e inconstante, são muito ativos, sempre inventando coisas para fazer ou dizer. Embora sensíveis como a flor de lótus, no amor eles são frios como a lua e inconstantes como as aves, voando de galho em galho.
Deusa Ísis
(de 16 de junho a 15 de julho)
Irmã e mulher de Osíris, tinha grandes poderes mágicos. Entre outras coisas, era a protetora das crianças, o que a tornava mais popular. As pessoas nascidas sob sua proteção têm grande sensibilidade e poderosa imaginação, forte instinto materno ou paterno; estão sempre prontas para socorrer os necessitados, são fiéis no amor e compreensivas em relações aos outros. Gostam da vida doméstica, são muito sentimentais, fracas para entender os aborrecimentos, gentis, têm um latente mau humor quando as coisas não são como o esperado, tornando-se fechadas e antipáticas. De natureza tímida e introvertida, sua candura natural e sua ingenuidade lhe renderam, tanto da vida quanto dos outros, alguns bons tombos e decepções, o que o fez com que se tornasse desconfiado e um tanto arredio, como que para se proteger. Às vezes, é uma presa fácil de um complexo de inferioridade. Mas se sobressai quando se trata de julgar, colocar as coisas em seus devidos lugares, separar o joio do trigo. Sua melhor qualidade, sem dúvida, é o discernimento. É naturalmente dotado para todas as profissões que exijam precisão e habilidade manual, sabe se filiar à disciplina, trabalhando bem em administrações. Profissão médica ou paramédica são indicadas.
Deus Rá
(de 16 de julho a 15 de agosto)
Deus Rá, o sol, é a principal divindade dos egípcios. As características deste deus são poder, força e criatividade.
As pessoas que nasceram sob sua proteção são extrovertidas, cheias de energia e ótimos líderes. Gostam de enfrentar situações difíceis e de superá-las. Seu ponto fraco é não saber perder. Elas se consideram como o sol, o centro do universo, que tudo gira à sua volta. Se contrariadas, ficam deprimidas.
Deusa Neit
(de 16 de agosto a 15 de setembro)
É a antiga deusa da caça, seu animal sagrado era o cão. Neit era chamada "a que abre os caminhos". As características desta deusa são sua grande capacidade de análise, paciência e senso de organização. As pessoas nascidas sob a sua proteção são muito práticas, cuidadosas e reparam nos mínimos detalhes, porque estão sempre atentas a tudo o que acontece. Sabendo usar as suas qualidades positivamente, alcançam o que consideram a sua maior felicidade, segurança e serenidade, mas sempre correm o risco de perder o equilíbrio por não saberem dar o justo valor a cada coisa.
Deusa Maat
(de 16 de setembro a 15 de outubro)
Filha de Rá, é a deusa da justiça, da verdade e do senso da realidade. No mundo dos deuses, ela ocupa um lugar muito importante. Sem Maat, a criação divina (a Terra e seus habitantes) não poderia existir, pois tudo se afundaria no caos inicial. As características desta deusa são capacidade de observação, senso de justiça e sabedoria para criar harmonia à sua volta. As pessoas nascidas sob sua proteção têm um temperamento simpático e afável, além de um grande senso estético. Usando as suas qualidades positivamente, tornam-se famosas e muito queridas. Em geral, essas pessoas têm problemas em fazer escolhas e precisam sempre da opinião dos outros. Para terem sucesso, no entanto, é necessário aprenderem a fazer suas próprias escolhas.
Deus Osíris
(de 16 de outubro a 15 de novembro)
É o deus mais importante. De acordo com a lenda, ele era o Rei dos deuses. O faraó que, junto com sua irmã e esposa Ísis, governava com justiça, mas era invejado por seu irmão Set que o assassinou por ciúme. As pessoas nascidas sob sua proteção também têm a proteção de Ísis; se caracterizam por terem emoções e sentimentos muito intensos além de terem uma persistência incomum. Possuem uma enorme energia e resistem a todas as adversidades, dispostos sempre a lutar por aquilo em que acreditam. São também vítimas da influência de Set; por isso são extremamente ciumentos e, quando não se encontram, vivem desconfiados de todos. Para ajudá-los, Osíris deu-lhes o dom da intuição que, bem empregado, os livrará das situações perigosas.
Deusa Hátor
(de 16 de novembro a 15 de dezembro)
É a deusa dos céus, a grande sacerdotisa do panteão egípcio, deusa da música e da dança, protetora dos prazeres e do amor, da vaidade feminina e da alegria. As pessoas que nasceram sob sua proteção possuem muita sensualidade e uma grande capacidade de amar; a permanente jovialidade, a alegria, o riso são constantes. Estas pessoas são quase sempre felizes, mas basta um pequeno problema para que se sintam desgraçados.
Deus Anúbis
(de 16 de dezembro a 15 de janeiro)
O deus com cabeça de chacal, o guia dos mortos, o mediador entre o céu e a Terra, temido pela sua frieza e severidade do seu juízo. As pessoas que nasceram sob sua proteção têm grande força de vontade, paciência e inteligência aguda. Essas pessoas sabem conduzir o seu destino, tornando-se pessoas de sucesso em qualquer setor, porém este demora a chegar, porque Anúbis é o senhor do tempo e retarda as conquistas. Embora sejam fiéis, têm excesso de ambição e exagerado orgulho que, às vezes, os torna egocêntricos e pouco modestos.
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