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transcendendo.......

O silêncio fala mais que mil palavras. O silêncio enche o ar de vibrações que nenhum som é capaz de produzir. Quando nos quedamos diante de nós mesmos e deixamos que a nossa alma flua, não necessitamos de palavras. O silêncio, que a tudo imobiliza, inunda o coração e fala por nós. Por mais que as palavras sejam maravilhosas, as rimas por vezes se quebram e se transformam em soluços. Então, o silêncio pode ser a máxima expressão do nosso íntimo. (Lisieux)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

contardo calligaris, colunista da folha
Fama e narcisismo
Em uma "sociedade narcisista", a invisibilidade é mais intolerável que a prisãoNA CONVERSA leiga, "Fulano é narcisista" significa que ele adora se ver no espelho e nunca pensa nos outros.Na clínica, o sentido da expressão é diferente: o traço dominante da "personalidade narcisista" é a insegurança. Narcisista é quem está sempre se questionando: "O que os outros enxergam em mim? Será que gostam do que vêem?". Em ambos os casos, o narcisista se preocupa com sua imagem. Mas, na conversa leiga, ele seria apaixonado por ela (como o Narciso do mito), enquanto, segundo a clínica, ele seria dramaticamente atormentado pelo sentimento de que sua imagem depende do olhar dos outros. De fato, a clínica tem razão: no espelho, enxergamos sempre e apenas o que os outros vêem (ou o que imaginamos que eles vejam). O mesmo mal-entendido aparece quando a gente constata que vive numa "sociedade narcisista". Na conversa leiga, essa constatação soa como uma queixa moral: estaríamos vivendo no mundo do "cada um por si". A clínica sugere o contrário: numa sociedade narcisista, cada um depende excessivamente dos outros. Somos desprovidos de essência: sou filho SE meus pais me amam, sou pai SE meus filhos gostam de mim, sou psicanalista SE pacientes e colegas me reconhecem, sou colunista SE você agüentou ler até aqui. O espelho que nos define não é o de Narciso, é o da bruxa de Branca de Neve, um espelho que interrogamos, ansiosos. Ora, recentemente, assisti, fascinado, ao processo de seleção da sexta temporada do programa "American Idol" (no canal Sony). É um programa parecido com "Fama", da Globo de dois ou três anos atrás, e com "Ídolos", do SBT. Trata-se de descobrir novos cantores e cantoras. O vencedor é eleito pelo público da TV, mas o que me cativou foi a longa fase inicial, em que os finalistas são selecionados por um júri, entre milhares de jovens concorrentes. Todos os candidatos parecem entusiasticamente certos de que serão o futuro ídolo, mas a audição da grandíssima maioria é propriamente constrangedora. No mesmo canal, há outro programa parecido: "American Inventor", em que desfilam inventores convencidos de que seu achado mudará o mundo, mesmo que se trate da máquina acariciadora de cachorro para dono preguiçoso (uma das invenções propostas). O que leva milhares de sujeitos a encarar uma espécie de humilhação pública? Será que eles são narcisistas à moda da conversa leiga, enamorados de si mesmos a ponto de perder toda autocrítica? Por algum milagre do amor materno, eles guardariam uma imagem de si positiva e imperturbável: "Deixe o mundo falar, pois eu fui, sou e sempre serei o ídolo da minha mãe" (alguns concorrentes, aliás, compareciam acompanhados por uma mãe embevecida). É possível. Mas, nas palavras de muitos candidatos entrevistados, aparecia outra coisa: uma vontade dolorosa de despertar um olhar de reconhecimento não só no público, mas nos seus familiares, ausentes e indiferentes. Era como se eles estivessem dispostos a qualquer coisa para deixar, enfim, de ser invisíveis: "Riam de mim, mas ao menos me vejam". Pode parecer paradoxal que alguém tente chamar a atenção (do pai, da mãe, da irmã e do mundo) expondo-se ao ridículo e ao fracasso. Mas, aparentemente, acontece que escárnio e zombaria são um preço aceitável por um (triste) momento de fama. Uma analogia talvez nos ajude a entender. As estatísticas dizem que há mais jovens que adultos delinqüentes. Justificação tradicional (além da "testosterona" da adolescência): os jovens andam em grupo. Portanto, é freqüente, no caso deles, que haja mais de um réu por crime. Certo. Mas também tudo indica que os jovens delinqüentes são presos mais facilmente que os adultos. Não é imperícia: parece que, de uma certa forma, eles se deixam prender, como se seu gesto transgressor tivesse como finalidade última o encontro com a polícia e o juiz. Por quê? Para a dramática insegurança do narcisismo (aqui no sentido clínico), uma condenação ou um fracasso humilhante apresentam uma vantagem parecida: ambos são preferíveis ao silêncio do outro. Num mundo em que a gente só existe pelo olhar alheio, a invisibilidade é mais intolerável do que o escárnio ou a prisão. PS.: Na semana retrasada, comentei o filme "Pecados Íntimos".
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:04 0 comentários

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

meditação



Usos Práticos da Meditação Sahaja









( 7548 visualizações )

Em geral, a meditação da Sahaja Yoga é a melhor forma de combater as doenças do dia a dia e nos tornar mais fortes e resistentes a elas. Nós não podemos nos tornar totalmente imunes às doenças, mas podemos usar a meditação para nos tornar mais resistentes e capazes de evitar os problemas que são comuns no atual estilo de vida agitado e estressante. A Sahaja Yoga é a melhor maneira de superar o estresse e curar as doenças do dia-a dia.

Há também algumas medidas adicionais que podemos adotar para nos ajudar a nos manter saudáveis e cuidar dos nossos chakras e do sistema sutil. Essas técnicas complementam a meditação e abaixo estão alguns exemplos de tratamentos sugeridos.



Programa Clínico da Sahaja Yoga para DDAH (Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade) na Austrália

Esse estudo investigou a meditação como um método de tratamento familiar para crianças com DDAH (Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade), usando as técnicas da Meditação Sahaja Yoga (MSY).

Pais e filhos participaram de um programa de 6 semanas, com sessões clínicas duas vezes por semana e meditação regular em casa. As avaliações pré e pós tratamento incluíram classificação pelos pais dos sintomas de DDAH dos filhos, avaliação da auto-estima e da qualidade do relacionamento entre pais e filhos. As percepções do programa eram coletadas via questionários preenchidos pelos pais e entrevistas com as crianças. Os resultados mostraram melhoras no comportamento das crianças com DDAH, na auto-estima e na qualidade dos relacionamentos. As crianças descreveram benefícios em casa (melhor padrão de sono, menos ansiedade) e na escola (maior capacidade de concentração, menos conflito). Os pais relataram estar mais felizes, menos estressados e mais capazes de lidar com o comportamento das crianças. As indicações desta investigação preliminar são de que a Meditação Sahaja Yoga (MSY) pode oferecer às famílias um efetivo instrumento para um tratamento familiar das crianças com DDAH.





Programa Clínico da Sahaja Yoga para DDAH







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Falta de ar ou dificuldade respiratória e ataques de pânico

Frequentemente esses tipos de ataques podem ser causados por um bloqueio no Chakra do Coração. Nós podemos trabalhar neste centro durante nossas meditações e também respirar devagar e profundamente, inspirando e expirando por um tempo com a nossa mão direita sobre o Chakra do Coração.



Dor no pescoço

Isso pode ser causado por uma obstrução no Vishuddhi Chakra. Nesse caso podemos colocar a nossa mão na região dolorida durante a meditação e também afirmar: “Mãe, eu não sou culpado” 16 vezes ou tentar massagear a área com óleo. Nós também podemos curar esse chakra falando de forma doce e evitando discussões sempre que possível.



Dores de cabeça

Causadas frequentemente por excessiva atividade no nível do ego. Para ajudar a aliviar a dor nós podemos olhar para a chama de uma vela durante nossa meditação ou colocar a palma da mão direita na testa e dizer para nós mesmos: “Mãe, eu perdôo a todos”. Nós podemos também massagear gentilmente a testa (Agnya frontal) com os dedos utilizando óleo de sândalo. Se a dor for atrás da cabeça, nós podemos acariciar a têmpora esquerda para trás e para baixo transversalmente na parte posterior da cabeça com a mão direita, para baixar o superego inflado e então ajudar a aliviar a dor.



Irritação nos olhos

Para tratar os seus olhos reserve um tempo para olhar para o céu ou para a natureza, como por exemplo, as árvores ou a grama verde. Esse é um meio efetivo de contrabalançar o excesso de leitura ou o trabalho em ambientes fechados.



Garganta

Tente proteger a garganta contra o frio extremo, poeira ou até mesmo a conversa excessiva. Quando for possível, use uma echarpe. Mastigar alcaçuz cru ou tomar mel pode ajudar a tratar os problemas nessa área.



Insônia

Este é um problema de um canal direito hiperativo. Para eliminar este problema nós precisamos nos equilibrar na meditação, bem como esfriar o canal direito. Um banho- de- pés (footsoak) com água fria e sal também é recomendado, durante a meditação da noite.



Pensamento constante – Fígado quente

Isso também é causado por um uso excessivo do canal direito. Um dos sintomas é uma atenção fragmentada, de modo que nós achamos difícil meditar e nós nos tornamos agitados, inquietos e adoecemos com facilidade. Nós podemos usar a bolsa de gelo para esfriar a área do fígado diretamente e tentar evitar comer coisas que esquentam o fígado, como por exemplo frituras por alguns dias.




Última atualização em Sáb, 31 de Outubro de 2009 08:20
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 11:01 0 comentários

uma unica rede








"Como é possível não se ver as correspondências que existem entre a evolução do ser humano e a da terra! Sim, a maior parte dos homens e das mulheres assemelha-se a terras em formação: ainda não conseguiram estabilizar o seu solo interior, que está continuamente em ebulição e é sacudido e fissurado por erupções vulcânicas. E o Senhor, que não procura outra coisa a não ser vir com os Seus anjos fazer dos homens e das mulheres uma morada Sua, tem de esperar que eles sosseguem.

O Senhor trabalha em todas as criaturas, mas elas não estão todas no mesmo período de formação: era primária, era secundária, era terciária, etc. Por isso, certas terras ainda estão povoadas por dinossauros, ao passo que outras têm pomares e campos cultivados. Os Mestres espirituais são seres que trabalharam durante muito tempo a sua terra e é por isso que eles vêm fazer avançar “a charrua do mundo”, vêm ajudar a carregar o carma da humanidade."



Omraam Mikhaël Aïvanhov: www.prosveta.com.
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 10:50 0 comentários

ganhando a luta


"Há imensos moços e moças que ficam desiludidos e se sentem arrependidos depois de terem feito certas experiências sexuais!

Até aí, sentiam-se leves, felizes, ao passo que agora infiltrou-se neles algo de pesado e eles sentem-se pouco à-vontade e até envergonhados. O seu olhar não tem a mesma clareza e eles dizem: «Não sabia que era assim. Se eu soubesse!» Sim, os moços e moças do mundo inteiro não sabem o que os espera quando se lançam prematuramente e com ligeireza em certas experiências. Aliás, nesse momento não lhes interessa saber: o que eles querem é ter prazer, experimentar sensações. Mas, na maior parte das vezes, o que os espera não é a felicidade, mas uma insatisfação, o sentimento de ter perdido qualquer coisa. E quando eles compreendem que se enganaram, essa compreensão já não lhes serve de nada, vem demasiado tarde. Então, quem é que pode preveni-los?... E eles escutarão?..."


Postado por Liliam Padilha Ferreira às 10:24 0 comentários

domingo, 21 de agosto de 2011


No início do século 20, o QI era a medida definitiva da inteligência humana. Só em meados da década de 90, a descoberta da inteligência emocional (QE) mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio se não soubesse lidar com as emoções. A ciência começa o novo milênio com descobertas que apontam para um terceiro quociente, o da inteligência espiritual (QS). Ela nos ajudaria a lidar com questões essenciais e pode ser a chave para uma nova era no mundo dos negócios.
No livro 'QS - Inteligência Espiritual', lançado no ano passado, a física e filósofa americana Dana Zohar aborda um tema tão novo quanto polêmico: a existência de um terceiro tipo de inteligência que aumenta os horizontes das pessoas, torna-as mais criativas e se manifesta em sua necessidade de encontrar um significado para a vida.
Ela baseia seu trabalho sobre Quociente Espiritual (QS) em pesquisas só há pouco divulgadas de cientistas de várias partes do mundo que descobriram o que está sendo chamado "Ponto de Deus" no cérebro, uma área que seria responsável pelas experiências espirituais das pessoas. O assunto é tão atual que foi abordado em recentes reportagens de capa pelas revistas americanas Neewsweek e Fortune. Afirma Dana: "A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos numa cultura espiritualmente estúpida, mas podemos agir para elevar nosso quociente espiritual".
Aos 57 anos, Dana vive na Inglaterra com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, co-autor do livro, e com dois filhos adolescentes. Formada em física pela Universidade de Harvard, com pós-graduação no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT), ela atualmente leciona na universidade inglesa de Oxford. É autora de outros oito livros, entre eles, O Ser Quântico e A Sociedade Quântica, já traduzidos para português. QS – Inteligência Espiritual já foi editado em 27 idiomas, incluindo o português (no Brasil, pela Record).
Dana tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho.
Ela falou à EXAME em Porto Alegre durante o 30º Congresso Mundial de Treinamento e Desenvolvimento da International Federation of Training and Development Organization (IFTDO), organização fundada na Suécia, em 1971, que representa 1 milhão de especialistas em treinamento em todo o mundo. Eis os principais trechos da entrevista:
O que é inteligência espiritual?
É uma terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tornando-os mais efetivos. Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para se ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequado senso de finalidade e direção pessoal. O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor. O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações.
De que modo essas pesquisas confirmam suas idéias sobre a terceira inteligência?
Os cientistas descobriram que temos um "Ponto de Deus" no cérebro, uma área nos lobos temporais que nos faz buscar um significado e valores para nossas vidas. É uma área ligada à experiência espiritual. Tudo que influencia a inteligência passa pelo cérebro e seus prolongamentos neurais. Um tipo de organização neural permite ao homem realizar um pensamento racional, lógico. Dá a ele seu QI, ou inteligência intelectual. Outro tipo permite realizar o pensamento associativo, afetado por hábitos, reconhecedor de padrões, ser emotivo. É o responsável pelo QE, ou inteligência emocional. Um terceiro tipo permite o pensamento criativo, capaz de "insights", formulador e revogador de regras. É o pensamento com que se formulam e se transformam os tipos anteriores de pensamento. Esse tipo lhe dá o QS, ou inteligência espiritual.
Qual a diferença entre QE e QS?
É o poder transformador. A inteligência emocional me permite julgar em que situação eu me encontro e me comportar apropriadamente dentro dos limites da situação. A inteligência espiritual me permite perguntar se quero estar nessa situação particular. Implica trabalhar com os limites da situação. Daniel Goleman, o teórico do Quociente Emocional, fala das emoções. Inteligência espiritual fala da alma. O quociente espiritual tem a ver com que algo significa para mim, e não apenas como as coisas afetam minha emoção e como eu reajo a isso. A espiritualidade sempre esteve presente na história da humanidade. Dana Zohar identificou dez qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes. Segundo ela, essas pessoas:
1. Praticam e estimulam o autoconhecimento profundo;
2. São levadas por valores. São idealistas;
3. Têm capacidade de encarar e utilizar a adversidade;
4. São holísticas;
5. Celebram a diversidade;
6. Têm independência;
7. Perguntam sempre "por quê?";
8. Têm capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo;
9. Têm espontaneidade;
10.Têm compaixão.

Fonte: Drª Dana Zohar - Oxford
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 21:15 0 comentários
 

"A menos que você faça tremendos esforços, você não estará convencido de que o esforço não o levará a nenhum lugar.

As pessoas que começam seu sadhana (disciplina espiritual) são tão fervorosas e inquietas que elas tem de estar muito ocupada para manter-se na linha.
Uma rotina absorvedora é boa para elas. Após algum tempo, elas se aquietam e abandonam o esforço. Em paz e silencio, a pele do “Eu” se dissolve e o fora e o dentro tornam-se um. A disciplina real é livre de esforço.

Em cada escola de ioga, pode-se progredir até o ponto quando todo desejo de progresso deve ser abandonado para tornar possível um novo progresso. Então todas as escolas são abandonadas, todo esforço cessa; em solidão e escuridão, o ultimo passo é feito o qual termina com a ignorância e medo para sempre.

Abandone toda tentativa, simplesmente seja, não se desvie, não lute, deixe cair todo suporte, segure-se no senso cego de ser, varrendo para longe tudo o mais. Isso é o bastante.

Você pode também crescer sem esforço, como uma criança, mas você não deve indulgir em preparações e planos, nascidos da memória e antecipação.
É idéia sua isso de fazer coisas que entrelaçam você nos resultados de seus esforços – o motivo, o desejo, o fracasso em adquirir, o sentido de frustração – tudo isso o puxa para trás.
Simplesmente olhe para o que quer que aconteça e saiba que você é algo para além disso.

Isso não tem nada a ver com esforço. Simplesmente vire-se na direção oposta, olhe entre os pensamentos, ao invés de para os pensamentos. Quando você caminha em uma multidão, você não luta com todo homem que encontra; você simplesmente faz o seu caminho por entre eles.
Quando você luta, você convida luta. Mas quando você não resiste, você não encontra nenhuma resistência. Quando você se recusa a jogar o jogo, você está fora dele.

Uma mente quieta é tudo o que você precisa. Todo o mais ocorrerá normalmente, uma vez que sua mente se (cale) aquiete.

Assim como o sol ao surgir torna o mundo ativo, assim também, consciência de si produz mudanças na mente. Sob a luz de uma consciência de si calma e estável, as energias internas acordam e perfazem milagres sem qualquer esforço de sua parte.

A janela é a ausência da parede, e ela dá ar e luz porque ela é vazia. Seja vazio de todo conteúdo mental, de toda imaginação e esforço, e essa própria ausência de obstáculos fará com que a realidade derrame-se para dentro de ti.

Aprofunde e amplie sua consciência de si mesmo e todas as bênçãos fluirão. Você não precisa buscar nada, tudo virá a ti de forma mais natural e sem esforço.
Mantenha o “Eu sou” no foco da consciência, lembre-se que você é,
Assista a si mesmo incessantemente e o inconsciente fluirá para dentro do consciente sem qualquer esforço especial de sua parte.

Não há qualquer esforço em testemunhar. Você só compreende que é a testemunha, e a compreensão age. Você não precisa nada mais, lembre-se apenas que você é a testemunha.

Tendo realizado que eu estou no mundo, e ainda assim alem do mundo, eu me tornei livre de todo desejo e medo. Eu me descubro inesperadamente livre sem o menor esforço.

É o absoluto em você que o leva para o absoluto além de você – absoluta verdade, amor, desprendimento são fatores decisivos na auto-realização. Com propósito eles podem ser alcançados.
Nisargadatta Maharaj em Eu Sou Aquilo
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 20:56 0 comentários
 
"Meditação é testemunho, este é o começo da meditação. E quando digo: Meditação é a não-mente, é a conclusão da peregrinação. Testemunhar é o começo e a não-mente é a conclusão. O testemunho é o método para alcançar a não-mente.


Deve-se começar por observar o corpo caminhando, sentado, trabalhando, comendo. Deve-se partir do mais concreto, porque é mais fácil. E então se deve passar a experiências mais sutis. Deve-se começar observando os pensamentos. Ao se tornar um perito em observar pensamentos comece a observar as sensações. Quando achar que pode observar as suas sensações comece a observar seus humores que são ainda mais sutis e mais vagos que as sensações.

O milagre de observar é que, conforme você observa os seus pensamentos, o observador vai ficando mais forte; observando suas emoções, o observador vai ficando ainda mais forte, e quando observar seus humores, o observador estará tão forte que pode permanecer sendo ele mesmo - observando a si mesmo como uma vela na noite escura, que não só ilumina tudo ao redor de si, mas também ilumina a si mesma.

Encontrar o observador na sua pureza é a maior realização na espiritualidade, porque o observador em você é a sua própria alma, a sua imortalidade. Mas nunca, nem por um único momento pense: "Eu entendo isso", porque esse é o momento em que você simplesmente deixa de entender.

Observar é um processo eterno; você continua a se aprofundar indefinidamente, cada vez mais, mas nunca chega a um fim em que possa dizer: "Eu entendo isso." Na verdade quanto mais você se aprofunda, mais se conscientiza de que entrou em um processo que é eterno - sem começo e sem fim.
Mas as pessoas só observam os outros, nunca se lembram de observar a si mesmas. Todo mundo realiza a observação mais superficial; o que as pessoas estão fazendo, o que estão usando, como é a aparência delas. Todo mundo observa - a observação não é algo novo a ser introduzido na sua vida . A observação precisa apenas ser aprofundada, desviada dos outros e apontada para suas próprias sensações internas, para seus pensamentos, humores e finalmente para o próprio observador. (...)

Use essa energia de observação para transformar o seu ser. Ela poderá lhe proporcionar tanta felicidade e tantos benefícios que você nem é capaz de imaginar. É simples, mas assim que começar a usá-la em si mesmo, ela se torna uma meditação.
Pode-se meditar sobre qualquer coisa. Qualquer coisa que o leve a tomar contato consigo mesmo é uma meditação. E é imensamente importante encontrar a sua própria forma de meditação, porque na própria busca você já encontrará uma grande alegria;
Como é uma descoberta sua, e não um ritual que lhe impuseram, você vai adorar se aprofundar nele. E quanto mais se aprofundar, mais se sentirá feliz, calmo, silencioso, centrado, dignificado, amável.

Todos vocês sabem observar, por isso não é necessário aprender, é preciso apenas mudar os objetos a serem observados, trazê-los mais para perto.
Observe seu corpo e você irá se surpreender. Posso mover minha mão sem observá-la e posso movê-la observando. Você não vai notar a diferença, mas eu sou capaz de sentir a diferença. Quando movo a mão observando, esse movimento adquire uma graça, uma beleza, uma paz e um silêncio especiais. Você pode caminhar observando cada passo e isso lhe trará todos os benefícios desse movimento como forma de exercício e lhe trará também o benefício de uma ótima e simples meditação.(...)

A observação afia a consciência. Essa é a religião essencial.
Mas você me pergunta: Há alguma coisa a fazer? Não, se você for capaz de apenas observar, não é preciso mais nada.(...)

A presença da luz já significa a ausência da escuridão e a ausência da luz é a presença da escuridão. A presença do observador, da testemunha, representa a ausência da mente e a ausência da testemunha, do observador é a presença da mente.(...)
No momento em que perceber que o observador está maduro, a mente se submeterá imediatamente como uma perfeita serva. Este é o estado de não-mente, você chegou em casa."
 
Osho em Meditação, primeira e última Liberdade.

Postado por Liliam Padilha Ferreira às 20:50 0 comentários

terça-feira, 16 de agosto de 2011

DECIFRA-ME OU DEVORO-TE
As imagens que nos alimentam são as imagens que se alimentam de nós

Resenha do livro
A ERA DA ICONOFAGIA
Norval Baitello Junior
Hacker Editores, São Paulo, 2005, 124 páginas

Por Luiz Carlos Assis IASBECK

Vivemos num mundo de imagens. Somos devoradores de ícones e o fazemos ferozmente da mesma forma como somos devorados por eles. É em torno dessa hipótese, habilmente transformada em tese, que o estudioso de semiótica da cultura e professor Dr. Norval Baitello Júnior nos conduz ao terrível e desafior mundo da que ele denomina como da “iconofagia”.

A iconofagia é um fenômeno não tão moderno assim, mas fortemente impulsionado pela indústria da comunicação de massa . Ininterrupto, não poupa quem esteja submetido aos paradigmas dessa nova indústria cultural, uma empresa que não mais nos oferece apenas informação, cultura e entretenimento, mas trambém nos subjuga ditatorialmente aos seus caprichos estéticos e interesses econômicos.

A iconofagia surge da mediação. As imagens se devoram umas às outras, devorando-nos a nos mesmos, veículos, produtores e consumidores dessa profusão infinita de formas, cores, movimentos e ruídos.

Sem dúvida, uma visão apocalíptica, não fosse a esperança de que nas pontas de todo esse processo está o ser humano, que pode e deve, no exercício de sua consciência crítica, adestrar tal universo de imagens, domando-as, avaliando-as, controlando-as.

As idéias de Norval Baittelo Junior, lúcida e condensadas, nos conduzem a uma dimensão pouco explorada das relações humanas, porque sempre focada nas tecnologias e nas estratégias de comunicação. Interessa ao autor uma releitura desses processos, à qual ele competentemente nos conduz, através de um caminho pouco habitual, porque reconstruído em textos produzidos em diferentes situações e com diferentes interesses.

Dividido em duas partes, o livro nos traz, primeiramente, uma visão da comunicação indissoluvelmente ligada à vida humana, naquilo que ela possui de mais íntimo e próprio: o corpo. Aqui, esse corpo é visto sob vários prismas.

Já no primeiro texto, que tem por título “A Ocidentalização”, Norval nos faz deparar com um grande dilema, aquele que justifica todos os demais textos do livro: encontramo-nos encarcerados, perdidos, temerosos, fatigados, iludidos e condenados a um olhar vazio, que não é capaz de nos nutrir dos ingredientes mínimos para a sobrevivência psicológica ativa. Esse mundo, que se nos oferece farto em atrações, reproduz intensamente imagens desprovidas de objetos, referências últimas e primeiras, essências que lhes dão sustentação e lhes determinam a operacionalização. E, então, nos chama a atenção para o fato de que “o que nos atrai e nos captura nas imagens é justamente sua face profunda, seu lado invisível, seu passado de sombra, em suma, seu teor de medo, sua dolorosa lembrança de separação do mundo dos objetos, dos corpos”.

Esse mundo de imagens vazias é o ambiente no qual o autor trata a questão da violência, aqui concebida como fenômeno sutil e insinuante, diferentemente da embalagem bruta e estúpida que a mídia criou para nos viciar ao consumo. Para Norval, a nova violência se dá de forma leve, mas indelével, nos padrões informacionais e comportamentais adultos. Não é de outro modo que ele explica dois fenômenos paradoxais e interdependentes: a juvenilização do adulto (tema tratado anteriormente por Edgard Morin) e a senilização do jovem, acelerada pela ansiedade dos adultos em proverem seus filhos de competências para o “mercado” da vida. É aqui que Norval nos apresenta pensadores pouco conhecidos do público brasileiro, como o etólogo Frans de Waal, e o estudioso da comunicação Vicente Romano, espanhol que desenvolveu as idéias do alemão Harry Pross, além das contribuições importantes do jornalista e comunicólogo Dominik Klenk sobre o “aproveitamento” do tempo de vida.

Os efeitos do consumo da mídia são medidos – como em toda a obra – no corpo, “mídia primária da cultura”, no entender de Pross, reforçado por Vicente Romano. Esse corpo, juvenilizado, senilizado é também “sedado” para que não processe criticamente as imagens que percebe no mundo midiatizado. “O que não deciframos, nos devora”, afirma Norval, numa citação clara do enigma da esfinge em Édipo Rei, de Sófocles, e que - no livro - explica as conseqüências nefastas do tempo acelerado. Esse tempo não mais nos permite o exercício lento da contemplação, da perenização; assim, “no momento em que não as deciframos, não nos apropriamos delas e elas nos devoram”.

A posição do corpo é decisiva para tal devoração. O famoso chavão “parar para pensar”, que utilizamos sem parar e sem pensar, é aqui retrabalhado como estratégia de sedação. A “anulação do espaço” introduzida pela mídia elétrica/eletrônica com a aceleração do tempo de processamento, gera um processo de alienação que passa pela “perda do presente” e conseqüentemente pela “perda da corporalidade”.Um delicado e feroz tirocínio que nos compele ao estranho desafio de sair do lugar comum, onde menos imaginávamos que ele estivesse.

As perdas do presente e da propriocepção são tratadas, em seguida, de forma integrada e conseqüente: a rarefação do corpo nos processos comunicativos esgarça os vínculos e nos faz perder a referência ao outro. Nessa perspectiva, perdermos-nos a nós mesmos numa auto-referência vazia, transformamo-nos de “indivíduos para divíduos”, num processo quase irreversível de entomização (divisão, partição, separação). Norval conversa aqui com os filósofos alemães Günther Andrés e Dietmar Kamper, uma conversa pontuada pelas preocupações que outrora assolaram Walter Benjamim e que o levaram a refletir/prenunciar um futuro sombrio para a obra de arte num mundo em que a tecnologia não se inibe diante das possibilidades de reprodutibilidade técnica. Uma preocupação, de resto, renovada e evocada a todo momento como marco histórico decisivo para polemizar a multiplicação das imagens, recurso de que a mídia irá se valer à exaustão. Aqui, especificamente, as imagens da mídia comparecem como berço de uma nova ecologia que substitui o “oikós” pelo eco, num processo incessante de redundância, provocando o sumiço acelerado dos significados. Ecos sem “oikós” são ocos!

A era da iconofagia começa a se delinear quando “ao consumir imagens, já não as consumimos por sua função janela (kamper), mas pela sua função biombo (Flusser)”. É aqui que Norval Baitello Junior nos faz deparar com o obscuro mundo das imagens sem referências, das imagens sem objetos, das imagens de imagens de imagens ... ao nada. Isso porque, ao devorar imagens anteriores, toda imagem se presta a ser devorada pelas imagens futuras, impedindo-nos de alcançar-lhes um fundamento, um alicerce sustentável de significação.

O “canibalismo pós-civilizatório”, que Günther Anders utiliza para definir o estágio correspondente à terceira Revolução Industrial, é aqui a mais contundente explicação que o autor nos dá para que entendamos os processos que “desprivatizam o espaço da individualidade”. E tudo isso, que pode até parecer etéreo a um leitor pouco acostumado a inquietações do gênero, soa dramático no texto seguinte, “O Corpo em Quiasma”.

Visto e revisto como pura linguagem, portador e produto de linguagens, o corpo é apresentado como lugar de equívocos históricos e histéricos. O corpo é o lugar de uma síntese por vezes impossível pois que “é movimento, tempo e memória ... abstrato e fugaz ... possui materialidade e (também) ... constrói-se em abstrações”. Imagem e semelhança dos deuses, o corpo revela (e se rebela) como o lugar da diferença do humano e, portanto, da imperfeição. A partir de tais pressupostos, o autor escancara os corpos modernos (corpo-bomba, corpo-química, corpo-máquina) em pluralidades bi-uni e nulodimensionais, mostrando-nos as possibilidades e as impossibilidades de criarmos, a partir do corpo, os vínculos que são o motivo maior da comunicação humana.

Sem dúvida, um passeio inusitado por lugares pouco freqüentados do saber manjado, constituído pela tradição nas áreas da comunicação, da psicologia, da antropologia e da sociologia, sobretudo.

E tudo isso comparece no primeiro capítulo, porque o segundo vai se debruçar sobre o processo da comunicação, atando, reatando e desatando nós (e, por que não dizer “nós” todos?) nos quais se dão os vínculos, motivações ontológicas para a comunicação humana.

Num mundo densamente informatizado, a troca de informações vai muito além do necessário ou suficiente para a manutenção da vida biológica ou social. A comunicação busca alargar espectros e horizontes da dimensão psicológica da vida humana, esforço aqui traduzido na re-significação do espaço e do tempo. O que se busca é uma espécie de consolo para uma situação apenas contornável simbolicamente: a solidão ontológica que nos aparece à consciência no nascimento e jamais nos abandonará, pelo fato de sabermos, com antecipação, que um dia iremos morrer.

E para não concentrar tudo em exclusivas razões humanas, Norval parte em busca novas possibilidades. Assim, encontra no comunicólogo Harry Pross, no etólogo de Waal, no biólogo H. F. Harlow, nos trabalhos do grupo do pesquisador alemão Eibl-Eibesfeldt fundamentos necessários para nos convencer a deixar de lado o antropocentrismo que reina nos estudos da comunicação, estimulando-nos a caminhar na compreensão de outros sistemas comunicativos não-humanos.

Os sistemas humanos da escrita, as inovações tecnológicas advindas do uso da descoberta e domesticação da eletricidade – que permitiram a evolução sem precedentes da chamada mídia terciária, aquelas cuja mediação se dá por máquinas – aliadas às lógicas precedentes da magia, das medições arcaicas nas quais partes do corpo eram a “medida de todas as coisas” constituem estratégias nas quais o autor se apóia para municiar-nos com dados contundentes na busca de novos sentidos e na explicação da perda de antigos e tradicionais modos de buscar sentidos para a vida.

Daí em diante, o corpo é assumido como mídia primária e prioritária da cultura. O excesso de visibilidade cega a percepção do homem para o corpo real e o leva a assumir um corpo virtual que prima pela distancia e pela assepsia do contato com o real; uma realidade demasiadamente humana para um mundo tecnologicamente em superação constante.

As quatro devorações, de indiscutível inspiração oswaldiana, tratam de processos múltiplos de canibalismo supra e infra-humanos, nos quais corpos devoram corpos, corpos devoram imagens e imagens devoram imagens que são, por sua vez, devoradas por outros corpos. Uma alegoria autofágica tal como a de uma cobra que come a si mesma pela cauda sendo, ao mesmo tempo, a forme a comida.

No texto seguinte, “A Cultura do Ouvir”, Norval faz um passeio semiótico pelo mundo dos sentidos, buscando entender nossos drives de entrada como equipamentos sensíveis a muito mais informações do que podemos ainda processar. Montagu, Sacks, Kamper dialogam o tempo todo num texto altamente denso e condensado que nos indica diferentes caminhos de pesquisa, ao tempo em que nos incita a uma reflexão, estranhamente deslocada mas curiosamente adequada, para entendermos algumas debilidades e deficiências corporais como fenômenos da cultura.

Não há determinismo pessimista nem otimismo fácil nas fecundas e inteligentes articulações que compõem A Era da Iconofagia.. A “polivalência instigante” sugerida nesse neologismo nos abre flancos múltiplos de reflexão, oferecendo-se a nós como um poliedro multifacetado a exigir decifração.

Um desafio, de resto, sem sua contrapartida mitológica: afinal, já participamos – todos nós e há muito - do imenso cardápio desse banquete iconofágico. 
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 21:55 0 comentários

segunda-feira, 15 de agosto de 2011




















  • A descrença é uma jogada num jogo cujas regras são estabelecidas pelos que creem. Negar a existência de Deus é aceitar as categorias do monoteísmo. Quando essas categorias caem em desuso, a descrença torna-se desinteressante e, em pouco tempo, sem sentido. Os ateus dizem que querem um mundo secular, mas um mundo definido pela ausência do deus cristão continua sendo um mundo cristão. O secularismo é como a castidade, uma condição definida pelo que é negado. Se o ateísmo tem um futuro, só pode ser numa revivificação cristã; mas de fato o cristianismo e o ateísmo estão declinando juntos.




    O ateísmo é um fruto tardio da paixão cristã pela verdade. Nenhum pagão está pronto para sacrificar o prazer da vida em troca da mera verdade. Prezam a ilusão artificial, não a realidade despida de enfeites. Entre os gregos, a meta da filosofia era a felicidade ou a salvação, não a verdade. A adoração da verdade é um culto cristão.




    Os antigos pagãos estavam certos ao estremecer diante da assustadora determinação dos primeiros cristãos. Nenhuma das religiões que abundavam no mundo antigo pretendia o que os cristãos afirmavam — que todas as outras crenças estavam erradas. Por isso mesmo nenhum de seus seguidores poderia algum dia tornar-se um ateu. Quando os cristãos insistiam em que que apenas eles possuíam a verdade, condenavam a extravagante abundância do mundo pagão à danação final.




    Num mundo de muitos deuses, a descrença nunca pode ser total. Pode apenas significar a rejeição de um deus e a aceitação de outro ou, como no caso de Epicuro e seus seguidores, a convicção de que os deuses não importam, já que há muito deixaram de se importar com as questões humanas.




    O cristianismo atingiu, na raiz, a tolerância pagã à ilusão. Ao sustentar que existe apenas uma única fé verdadeira, deu à verdade um valor supremo que não tinha tido antes. E também tornou possível, pela primeira vez, a descrença no divino. A consequência de efeito retardado da fé cristã foi uma idolatria da verdade que teve sua mais completa expressão no ateísmo. Se vivemos num mundo sem deuses, devemos agradecer ao cristianismo.








    fonte: Cachorros de Palha


    pp. 142-3, Ed. Record.
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 23:03 0 comentários

A Morte e o Sentido da Vida



Keith Augustine



Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se espavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muito barulho, que nada significa.

Macbeth, Ato 5, Cena 5, linhas 22-31

Na escala do tempo da história da Terra a vida de um ser humano é um mero piscar de olhos. Nascemos, vivemos e morremos — e então não mais somos “lembrados”. A morte é como um sono sem sonhos do qual nunca acordamos, nossa consciência suprimida para sempre [1]. Se esta vida é tudo o que se apresenta, qual é o seu sentido? Se estamos todos fadados a morrer de qualquer forma, que diferença faz o que fazemos nossas vidas? Podemos influenciar as vidas de outras pessoas, mas elas também estão condenadas à morte. Em algumas poucas gerações a maioria de nossas realizações será totalmente esquecida, a memória de nossas vidas reduzidas a um mero nome entalhado numa lápide ou escrito numa árvore genealógica. Em alguns séculos até nossas tumbas se tornarão ilegíveis pela ação do tempo, restos de ossos serão tudo o que restará de nós. Exceto pela fossilização, até estes ossos serão desintegrados e nada de nós restará. Tudo de que fomos feitos será absorvido por outros organismos — plantas, animais, e até outros seres humanos. Novas espécies aparecerão, florescerão e desaparecerão, rapidamente substituídas por outras que preencherão o nicho deixado pela sua extinção. A humanidade também sucumbirá à extinção. Toda a vida na terra será varrida quando nosso sol moribundo tornar-se uma gigante vermelha, engolindo então a Terra. Finalmente, o universo tornar-se-á incapaz de permitir a existência de qualquer tipo de vida devido à sua eterna expansão, deixando apenas calor residual e buracos negros, ou senão se contrairá novamente unindo toda a matéria e energia num único Grande Buraco Negro. De qualquer forma, toda a vida no universo desaparecerá para sempre.

Essas considerações uma vez levaram Bertrand Russell a concluir que qualquer filosofia da qual valesse a pena falar seriamente teria de se fundamentar numa “fundação firme de incontrolável desespero” [2]. A morte torna a vida sem sentido? Apesar de muitas pessoas acharem que sim, um momento de reflexão irá mostrar que a morte é irrelevante para a questão do sentido da vida: se os seres humanos fossem naturalmente imortais — isto é, se não houvesse nada parecido com a morte — ainda assim a questão sobre o sentido da vida persistiria. A afirmação de que a vida é sem sentido porque termina em morte relaciona-se com a afirmação de que tudo o que tem sentido precisa durar para sempre. O fato de muitas das coisas às quais damos valor (como o relacionamento com outras pessoas) e atividades que achamos valiosas (como trabalhar numa campanha política ou educar uma criança) não durarem para sempre mostra que a vida não precisa ser eterna para ter sentido. Podemos mostrar também que a vida não precisa durar para sempre para ter algum sentido através de exemplos de vidas que duram para sempre e são inúteis. Na mitologia grega Sísifo é punido pelos deuses por ter dado conhecimento divino aos humanos. Sua punição é ser forçado a rolar uma enorme pedra até o topo de uma montanha. Assim que a pedra chega ao topo, ela é rolada novamente até a base da montanha. Sísifo está condenado a repetir esta tarefa inútil por toda a eternidade. A duração de nossas vidas nada tem a ver com elas terem ou não sentido. É irônico que tantas pessoas não tenham atentado para este ponto já que a punição eterna contida emO Mito de Sísifo de Albert Camus é o arquétipo da existência inútil.

A morte aparenta significar a falta de sentido da vida para muitas pessoas porque elas sentem que não há motivo em desenvolver o caráter ou aumentar o próprio conhecimento se nossos progressos serão em última instância tomados pela morte. Entretanto, há um motivo para desenvolver o caráter e desenvolver o conhecimento antes da morte nos alcançar: dar paz e satisfação intelectual às nossas vidas e às vidas daqueles com quem nós nos importamos, porque perseguir estes objetivos enriquece nossas vidas. Partir do fato de que a morte é inevitável não implica dizermos que tudo o que fazemos não faz diferença. Pelo contrário, nossas vidas têm grande importância para nós. Se elas não tivessem, não acharíamos a ideia de nossa morte tão desesperadora — não faria diferença se nossas vidas iriam acabar ou não. O fato de irmos todos morrer algum dia não tem correlação com a questão de nossas atividades valerem ou não a pena aqui e agora: para um paciente doente num hospital os esforços de um médico em aliviar sua dor certamente importam, independentemente do fato de tanto o paciente quanto o médico (e em última análise todo o universo) acabarão morrendo algum dia.

Mas o que faz com que tantas pessoas sintam que suas vidas, em última análise, são inúteis? O fato de que todos nós um dia iremos morrer é uma razão para este sentimento, mas não é a única. A outra razão para que tantas pessoas sintam que a vida não tem sentido é que, até onde a ciência pode mostrar, não há nenhum propósito maior para nossas vidas. Uma visão científica do mundo retrata a origem dos seres humanos como “o resultado da colocação acidental de átomos” [3]. Tanto individual quanto coletivamente, seres humanos vieram a existir devido a probabilidades. Como indivíduos, nossa existência foi possível devido ao sucesso reprodutivo de nossos ancestrais; como espécie, nossa existência foi determinada pelas mutações que acabaram por conferir uma vantagem adaptativa a nossos ancestrais evolutivos no ambiente em que se encontravam. Devido ao fato de não podermos discernir qualquer indicação de que fomos postos neste planeta para servir a um propósito dado a nós por um ser inteligente, nossa existência não parece fazer parte de nenhum plano maior. Se a ausência de um propósito maior é o que faz a vida ser em última instância sem sentido, nossas vidas seriam igualmente inúteis se fossem eternas. Da mesma forma, se fazer parte de um propósito maior desse às nossas vidas um sentido, então nossas vidas teriam sentido mesmo se a morte acabasse com elas para sempre.

Será realmente o caso, entretanto, que a ausência de um plano maior para nossas vidas tornaria a vida sem sentido? Aqui, também, um momento de reflexão mostrará que a falta de um propósito maior na vida é irrelevante para o seu sentido. Como um propósito maior para nossas vidas lhes daria um sentido? Suponha, por exemplo, que venhamos a descobrir que milhões de anos atrás extraterrestres manipularam geneticamente os hominídeos para produzir uma espécie mais inteligente, adequada para suas necessidades de trabalho escravo e estes extraterrestres ainda não voltaram à Terra para nos escravizar. Neste caso, nossa existência seria parte de um plano maior e daria um sentido às nossas vidas para os extraterrestres, mas isto não daria sentido a elas para nós. Sermos parte de um plano divino pode apenas dar sentido a nossas vidas se aceitarmos nosso papel no tal plano como importante para nós. Além disso, enquanto formos ignorantes a respeito de num suposto plano maior para nossas vidas — e certamente somos ignorantes a esse respeito —, não temos como saber qual é o nosso papel neste plano e, portanto, ele não é capaz de fazer nossa vida ter sentido. Nossas atividades são válidas por elas mesmas, e não porque atendem a algum propósito transcendental desconhecido.

Estas considerações mostram que nós devemos criar nosso próprio sentido para nossas vidas, independentemente de essas vidas servirem ou não a um propósito maior. Se nossas vidas têm ou não sentido para nós depende de como as julgamos. A ausência ou presença de algum propósito superior é tão irrelevante quanto a finalidade da morte. A alegação de que nossas vidas são “em última análise” inúteis não faz sentido porque elas teriam ou não sentido independentemente do que fizéssemos. Questões sobre o sentido da vida são questões sobre valores. Nós atribuímos valores para coisas na vida em vez de descobri-los. Não pode haver sentido na vida senão aquele que criamos para nós mesmos, pois o universo não é um ser consciente que pode atribuir valores para as coisas. Mesmo se um deus consciente existisse, o valor que ele atribuiria às nossas vidas não seria o mesmo que nós atribuiríamos e, portanto, seria irrelevante.

O que faz nossas vidas terem sentido é acharmos que as atividades que fazemos valem a pena. Nossa determinação para levar adiante projetos que criamos para nós mesmos dá sentido às nossas vidas. Sentimos que a vida é inútil quando a maior parte dos desejos que julgamos importantes é frustrada. Achar nossa vida importante ou não depende de quais objetivos importantes são frustrados. O julgamento que fazemos de nossas vidas nestes pontos é igualmente independente de a vida ser ou não eterna ou de ela fazer ou não parte de um propósito maior. Talvez o segredo de uma vida com sentido seja dar importância a aqueles objetivos que podemos atingir e minimizar aqueles que não podemos — desde que saibamos a diferença entre eles.
Sobre o autor

Keith Augustine é estudante graduado de filosofia na Universidade de Maryland, College Park
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 23:01 0 comentários

O Sentido da Vida



Moritz Schlick


Nem todos se preocupam com a questão de saber se a vida tem sentido. Alguns — e esses não são os mais infelizes — têm a mente de uma criança, que ainda não questionou tais coisas; outros, tendo desaprendido a questão, já não as questionam. Entre ambos estamos nós próprios, aqueles que procuram. Não conseguimos projetar-nos de novo no nível do inocente, para quem a vida ainda não olhou com os seus olhos escuros e misteriosos, e não nos interessa juntarmo-nos aos saturados e fatigados que já não acreditam em qualquer sentido na existência por não terem conseguido encontrar qualquer sentido na sua própria vida.

Aquele que não conseguiu atingir o objetivo que procurava na sua juventude, e que não encontrou nada que o substituísse, pode lamentar a falta de sentido da sua própria vida, mas pode ainda acreditar que a existência em geral tem sentido e pensar que tal sentido está presente nos casos em que uma pessoa atingiu os seus objetivos. Mas aquele que, depois de muito esforço, conseguiu atingir os seus propósitos, e que depois descobriu que o seu prêmio não é tão valioso como parecia, de alguma maneira sente-se enganado — confronta-se abertamente com a questão do valor da vida e diante dele, como um solo sombrio e devastado, permanece o pensamento de que, para além de todas as coisas serem transitórias, em última análise tudo é em vão…

Qual é a razão para a estranha contradição que consiste no fato de o sucesso e a satisfação não se fundirem num sentido apropriado? Não parece prevalecer aqui uma lei inexorável da natureza? O ser humano estabelece objetivos para si próprio, e enquanto os persegue apoia-se na esperança, é verdade, mas ao mesmo tempo vive atormentado pela dor do desejo insatisfeito. Logo que atinge o objetivo, no entanto, depois da primeira sensação de triunfo segue-se inevitavelmente um sentimento de desolação. Permanece um vazio, que aparentemente só pode culminar com a emergência dolorosa de novas ambições, com o estabelecimento de novos objetivos. Assim recomeça o jogo, e a existência parece estar condenada a ser uma oscilação incansável entre dor e aborrecimento que termina com o nada que é a morte. Esta é a célebre linha de pensamento que está na base da visão pessimista da vida de Schopenhauer. Não haverá uma maneira de lhe poder escapar?…

Na verdade, nunca encontraremos um sentido último na vida se a virmos apenas sob o aspecto do propósito.

Não sei, no entanto, se o fardo dos propósitos pesou alguma vez mais sobre a humanidade do que no momento presente. O presente idolatra o trabalho. Mas trabalho significa atividade dirigida para objetivos, direção para um propósito. Supõe que estás no meio da multidão numa rua agitada de uma cidade e imagina-te a parar os transeuntes, um por um, para lhes perguntares: “Onde é que vais tão depressa? Que assunto importante tens de resolver?” E se, depois de conheceres o objetivo imediato, perguntasses depois pelo propósito desse objetivo, e depois pelo propósito desse propósito, acabarias sempre por chegar ao seguinte propósito depois de poucos passos na sequência: manter a vida, ganhar o próprio pão. E manter a vida porquê? Para esta questão dificilmente conseguirias extrair uma resposta inteligível a partir da informação obtida…

O núcleo e valor último da vida só pode residir em estados que existem em função de si próprios e que contêm em si próprios a satisfação que proporcionam… Ora, a vida significa movimento e ação, e se desejamos descobrir um sentido nela devemos procurar atividades que contêm o seu valor e propósito em si próprias, independentemente de quaisquer objetivos exteriores; atividades, portanto, que não são trabalho, no sentido filosófico do termo… Existem realmente tais atividades. Para sermos consistentes, devemos chamar-lhes jogos, já que este é o nome para a ação livre e sem propósito, isto é, para a ação que na verdade contém em si o seu propósito…

Jogar, como entendemos a noção, é qualquer atividade que decorre inteiramente em função de si própria, independentemente dos seus efeitos e consequências. Não há nada que impeça esses efeitos de serem de um tipo útil ou valioso. Se forem, tanto melhor; a ação continua a ser jogo, pois já contém o seu valor em si própria. Bens valiosos podem proceder dela, tal como da atividade intrinsecamente não aprazível em que se procura atingir um propósito. Por outras palavras, também o jogo pode ser criativo; o seu resultado pode coincidir com o do trabalho…

Olhemos à nossa volta: onde encontramos jogo criativo? O exemplo mais brilhante (que ao mesmo tempo é mais do que um simples exemplo) encontra-se na criação do artista. A sua atividade, que consiste em dar forma ao seu trabalho através da inspiração, é ela própria um prazer, e em parte é por acidente que valores duradouros resultam dela. Enquanto trabalha, o artista pode não pensar no benefício desses valores, pode nem pensar na sua recompensa, já que de outro modo o ato de criação ficará corrompido. O prêmio que abundantemente recompensa não é a corrente de ouro, mas a canção que brota do coração! Assim se sente o poeta, e também o artista. E quem se sente assim naquilo que faz é um artista.

Considere-se, por exemplo, o cientista. Conhecer, também, é um puro jogo do espírito, a procura da verdade científica é um fim em si mesmo para ele. O cientista adora medir os seus poderes contra os enigmas que a realidade lhe propõe, independentemente dos benefícios que possam de alguma maneira resultar da sua atividade…

Toda a nossa cultura terá que se concentrar num rejuvenescimento do ser humano, rejuvenescimento no sentido filosófico, de tal maneira que todas as nossas atividades se libertem gradualmente do domínio dos propósitos, que até as ações necessárias para a vida se transformem em jogo…

Toda a educação deverá encarregar-se de que nada da criança se perca no homem à medida que este amadurece, de que a separação entre a adolescência e a idade adulta vá desaparecendo gradualmente, de tal forma que o homem permaneça um rapaz até aos seus últimos anos, e a mulher uma rapariga, apesar de ser uma mãe. Se precisamos de uma regra de vida, que seja esta: “Preserva o espírito da juventude!” Pois este é o sentido da vida.

tradução: Pedro Galvão
fonte: Revista Intelecto
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 22:58 0 comentários

PENSO LOGO EXISTO



René Descartes - Autor do "discurso do Método" e das "Meditações Metafísicas"
Matemático, físico e filósofo, autor do “Discurso do Método” e das “Meditações Metafísicas”, Descartes elaborou um novo método de conhecimento fundado sobre a razão, a única capaz de permitir ao homem alcançar um conhecimento perfeito das verdades mais elevadas. O famoso “Cogito ergo sum” (Penso, logo existo!) faz do pensamento o princípio da existência.
Tendo feito seus estudos clássicos com os jesuítas de La Fléche, Descartes logo se interessou pelas matemáticas como se fossem a causa da certeza e da evidência de suas razões. O sistema que elaborou é marcado pelo rigor. No prefácio dos Princípios da Filosofia, ele define o conhecimento (a Filosofia) semelhante a uma árvore. As raízes são constituídas pela Metafísica, indicando que todo saber do sistema se apoia sobre a existência de Deus, considerado como o revelador e criador das verdades. É, portanto, de Deus que o homem deve deduzir as regras indispensáveis para compreender o mundo. Nessa perspectiva, a Física é a aplicação dessa concepção de conhecimento, formando o tronco da árvore. E, enfim, os galhos são constituídos pelas outras ciências (Medicina, Mecânica) e a moral, que surgem como os resultados da pesquisa, sobre a qual o próprio Descartes esboça grandes tratados.
O método cartesiano resultante dessa concepção toma como ponto de partida a solução da “tábula rasa” que consiste em negar toda existência, todo dado. Mas negar supõe em si a existência de um pensamento, já que é preciso pensar para negar, evidenciando, assim, a existência de uma razão. Essa razão é suscetível de conhecer a verdade, porque Deus existe, ao mesmo tempo tendo criado o mundo e a ferramenta necessária para conhecê-lo. Essa ferramenta é o espírito humano.
Mas o homem é falível e para usar corretamente o método é preciso utilizar alguns princípios comuns. São eles:
- Saber que o bom senso é a coisa mais bem partilhada do mundo, como potência de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso. É a isto que denominamos bom senso ou Razão e que é igual em todos os homens;
- Necessidade de um método: não é o bastante ter o espírito bom, mas o principal é aplicá-lo bem. As grandes almas são capazes dos maiores vícios, bem como das maiores virtudes;
- Probidade intelectual: jamais receber alguma coisa por verdadeira sem que a tenha conhecido evidentemente, isto é, evitar a precipitação e a prevenção;
- Lealdade política e moderação: a primeira regra é obedecer às leis e aos costumes de meu país, observando constantemente a religião na qual Deus deu ao homem a graça de ser instruído desde a infância, devendo se autogovernar seguindo as opiniões mais moderadas e distantes dos excessos;
- Aceitação estoica do mundo: cuidar sempre de superar a si mesmo ao invés de querer mudar os outros;
- Primazia do pensamento e limite do ceticismo: notando que o Cogito é tão firme e seguro que nenhuma suposição extravagante dos céticos seria capaz de enfraquecê-lo, deve-se tê-lo pelo primeiro princípio da Filosofia.
Assim, ao compreender a realidade de forma evidente e, por isso, racional, pensada, podemos utilizar os princípios do método filosófico a fim de conservar nossa saúde, gerir melhor os negócios e também nos tornarmos melhores a nós próprios, afastando-nos da superstição e da presunção sem que com isso caiamos no ceticismo absoluto. Deus é, em última instância, a verdade que garante ao sujeito o poder de conhecer.
Por João Francisco P. Cabral 
Colaborador Brasil Escola 
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU 
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 22:50 0 comentários
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