skip to main | skip to sidebar

transcendendo.......

O silêncio fala mais que mil palavras. O silêncio enche o ar de vibrações que nenhum som é capaz de produzir. Quando nos quedamos diante de nós mesmos e deixamos que a nossa alma flua, não necessitamos de palavras. O silêncio, que a tudo imobiliza, inunda o coração e fala por nós. Por mais que as palavras sejam maravilhosas, as rimas por vezes se quebram e se transformam em soluços. Então, o silêncio pode ser a máxima expressão do nosso íntimo. (Lisieux)

sábado, 13 de março de 2010

IMAGENS ICONOGRAFIA ICONOFAGIA




















As imagens que nos devoram
Antropofagia e Iconografia

Imagem nº 1
A corrida entre a máquina de escrever e a máquina de costura
No ano de 1919, na rua Koethener, em Berlim, os divertidos dadaístas, em mais uma de suas concorridas sessões públicas, promoveram uma corrida entre uma máquina de costura e uma máquina de escrever. Enquanto Raoul Hausmann costurava febrilmente uma tira de tecido juntando uma ponta à outra, Richard Huelsenbeck datilografava, como louco, página após página, de uma escrita qualquer. Quando o juiz e narrador George Grosz anunciou a vitória da máquina de costura, Huelsenbeck atirou a máquina ao chão em uma encenação de protesto, arrebentado-a.
Talvez sem saberem a extensão de sua brincadeira-heppenning, os dadaístas estavam vislumbrando naquele momento a derrota da escrita e sua lentidão e a vitória da sutura, do pesponto e da costura em seu gesto veloz de juntar pedaços. Já estávamos vivendo em um mundo ora rasgado, ora recortado, ora dilacerado e que somente se manteria como imagem de mundo se fosse costurado na forma de montagem ou colagem. A linha, que até então servira à escrita, passaria a ser apenas o fio que costura as imagens já prontas, imagens prêt-à-porter, porém sempre de segunda ou terceira mão, sempre já previamente digeridas pelos distribuidores de imagens em grande escala que já prenunciavam na atividade jornalística e na publicitária. A cultura do lento tecer criada pela escrita estava perdendo seu lugar para a cultura imagética da colagem e da montagem, da velocidade e da voracidade: uma imagem devora a outra velozmente, transformando-se em outra imagem, também pronta para ser devorada. A costura é a metáfora da colagem e da montagem. E a colagem é a representação por excelência das imagens que devoram imagens que, com razão, reivindicou Hans Belting na Casa das Culturas do Mundo em Berlim em janeiro de 1999, no primeiro seminário sobre as relações entre a imagem e a violência. Assim, temos na devoração de imagens pelas próprias imagens, uma das configurações daquilo que denominei “iconofagia”.

Imagem nº 2
A perspectiva em abismo
Foi Eduardo Peñuela Cañizal que apontou a existência de uma perspectiva em abismo no cinema do espanhol Pedro Almodóvar, que constrói algumas de suas imagens buscando substratos imagéticos nos filmes de Luis Buñuel, que, por sua vez, as reconstrói a partir de cenas de outros filmes ou ainda de imagens clássicas da pintura espanhola. Quando Pablo Picasso pinta suas versões de “As Meninas”, de Velásquez, também está trabalhando na ótica da perspectiva em abismo. Esta forma abismal de lidar com as imagens não se restringe ao cinema ou à pintura, passou a ser amplamente utilizada também pelos meios de comunicação de massa. Alguns anos atrás o jornal Folha de São Paulo publicou em sua primeira página a foto do esquife solitário de um pixador paulista morto no Rio de Janeiro. Dentro da onda de protestos dos leitores pela dureza da imagem, também se incluíam manifestações de júbilo e êxtase pela beleza da foto que lembrava grandes momentos da pintura universal, recordando que a fotografia publicada não tinha como objeto apenas a morte e a violência, mas também os efeitos de luz e sombra dos quadros de Rembrandt ou de Caravaggio.
Assim, o mundo das imagens iconofágicas possui uma dimensão abismal. Por trás de uma imagem haverá sempre uma outra imagem que também remeterá a outras imagens.

Imagem nº 3
A escrita e a imagem
A escrita nasceu das imagens figurativas. As superfícies de pigmentos e cores, espacialidades bidimensionais foram se reduzindo paulatinamente à unidimensionalidade da linha. Mas a palavra ‘linha’ vem do latim línea, que significava ‘fio de linha’ ‘corda ou cordel de linho’. Aqui temos o entroncamento, de onde nasceram, por um lado, o tecido, a roupa, as vestimentas em enfim, a moda e, por outro, a escrita, ambos veículos da chamada mídia secundária (Harry Pross). O desenvolvimento de cada um foi exatamente na direção oposta do outro. Enquanto a escrita nasce dos desenhos e das superfícies pintadas e se transformam em linha, o fio de linha se ordena em trama e urdidura com outros fios para se transformar em superfícies de tecidos. As direções de movimentos são, em princípio, invertidas: a imagem vira linha para criar a escrita e a linha vira trama para dar origem ás superfícies, para fazer os tecidos, para constituir as redes. Acontece que o século XX, o século da imagem, fez renascer a escrita imagética. Com o Futurismo, com o Cubismo, e sobretudo com Dada, mas também as artes aplicadas, o design e a propaganda passaram a iconizar a escrita e as letras voltaram a ser imagens, como no princípio permitindo que também a escrita e a letra recuperassem sua natureza bidimensional da origem. As imagens, superfícies bidimensionais, oferecem espaço para que nós, homens, entremos em seu mundo rapidamente.
Ao contrário da escrita que exige tempo de leitura e decifração, permitindo a escolha entre entrar ou não em seu mundo, a imagem convida a entrarmos imediatamente e não cobra o preço da decifração. A imagem não exige uma senha de entrada, pois o seu tributo é a sedução e o envolvimento. A imagem nos absorve, nos chama permanentemente a sermos devorados por ela, oferecendo o abismo do pós-imagem, pois após ela sempre há uma perspectiva em abismo, um vazio do igual (ou, como dia Walter Benjamin, uma “catástrofe” do sempre igual”), um vácuo de informações, um buraco negro de imagens que suga e faz desaparecer tudo o que não é imagem.

Imagem nº 4
A iconofagia, a antropofagia, a imagem e o beijo
Toda comunicação humana nasce do vínculo primordial da amamentação, do beijo que busca o alimento. Ao contrário da imagem, que nos leva a um abismo, o beijo nasce do ato da alimentação original e oferece, como contato e comunicação em mídia primária, a maternidade, a profundidade e a tridimensionalidade. Assim, o beijo, também sendo um ato de devoração, é essencialmente distinto da devoração das imagens ou pelas imagens. É a imensa diferença que há entre a antropofagia e a iconofagia. Enquanto na antropofagia (e o beijo é um legítimo ato de antropofagia!) devoramos o outro ou somos devorados pelo outro, na iconofagia somos devorados pelo abismo que tem como portal triunfal de entrada... uma imagem. E nos transforma, seres humanos tridimensionais de carne e osso, necessariamente, em imagens.
Como toda mídia secundária ou terciária, tanto a escrita, hoje iconizada para veiculação rápida pelos meios eletrônicos, como as imagens igualmente potencializadas por veículos de grande alcance, quando vistas apenas em sua natureza mediadora, são portanto a expressão de um abismo voraz, uma grande boca insaciável. Seu gesto, contudo, não é bilateral como o beijo. Sua operação não é uma troca, mas uma apropriação.

Imagem nº 5
Alimento e excremento
Toda ingestão pressupõe uma excreção. Assim também na iconofagia. Como ela consiste em uma infindável e abismal repetição, uma remontagem e uma recolagem, os excrementos das imagens que devoram imagens serão sempre mais imagens. A idéia dos excrementos resultantes da iconofagia, indagada por Bernd Ternes em Berlim, traz consigo ainda uma outra indagação: quais seriam os excrementos quando somos devorados pelas imagens? Quando devoramos imagens, produzimos imagens excrementais. E quando as imagens nos devoram, produzem elas imagens excrementais ou seres humanos excrementais? De qual natureza serão os detritos das imagens devoradoras?

Imagem nº 6
Voracidade compulsiva
A questão dos excrementos é tão mais importante quanto mais profundamente se adentra na era das montagens e das colagens. Um mecanismo de dependência se desenvolve a partir da geração e do consumo crescente de imagens, uma voracidade compulsiva.
Assim, não será difícil imaginar que a toda essa inflação das imagens trazidas pelo desenvolvimento das máquinas de imagens corresponde um inflacionamento na produção de imagens excrementais. As imagens visuais, as imagens auditivas, as imagens mentais e conceituais, aquelas mesmas imagens que ajudaram a povoar o imaginário da criatividade humana, que ajudaram o homem a construir a sua segunda natureza, sua cultura, entraram em processo de proliferação exacerbada. Quanto mais elas se oferecem como alimento, mais aumenta a avidez por imagens. Quanto mais aumenta a avidez, menos seletiva e menos crítica se tornam a sua recepção e a sua oferta. Quanto menos seletiva e menos crítica sua recepção, tanto menos vínculos e relações, tanto menos fios e elos, tanto menos horizontes e expectativas, tanto menos consideração por tudo que está ao lado, tanto menos ética, tanto menos história.
No desgaste e na perda da capacidade de vincular, de relacionar, é que se dá a inversão do processo devorador: de devoradores indiscriminados de imagens passamos a ser indiscriminadamente devorados por elas.

Imagem nº 7
A costura desesperada
Dentre as manifestações imagéticas mais desesperadas da devoração pelas imagens registram-se,s em dúvida, os trabalhos do artista esquizofrênico Artur Bispo do Rosário. Tendo vivido na Colônia de Psicopatas Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, por mais de trinta anos, sua obra artística aí se construiu, a partir de objetos extorquidos de outros internos do hospício. Tomava suas roupas, não raro valendo-se de suas qualidades de antigo boxeador campeão e marinheiro, e desfiava o tecido para, com a linha resultante, costurar e bordar infinitamente, com palavras, nomes e frases, suas bandeiras, faixas de concursos de beleza feminina, mantos e painéis. Envolvia cuidadosamente com a linha do tecido desfeito os objetos que transformaria em cetros, estandartes e mastros. A linha e a costura eram o canal de vinculação desesperada do artista no mundo das imagens em que vivia durante os surtos da doença. A febril e insana produção de símbolos indentificadores e demarcadores dão o testemunho da profusão de imagens que povoavam seu mundo interior – melhor dizendo, o mundo no interior do qual ele vivia. Sua obra, à maneira do “Merzbau” de Kurt Schwitters, foi preenchendo e invadindo cela após cela, corredor após corredor do manicômio, em um claro gesto de partilhar com os outros as insistentes imagens que o acompanhavam dia e noite.

Imagem nº 8
Nise da Silveira
O Museu da Imagem do Inconsciente, também no Rio, reúne, desde 1946, uma enorme coleção de produção imagética dos pacientes de hospitais psiquiátricos. Criado pela corajosa e genial Nise da Silveira, com o intuito de “fazer sondagens no mundo intrapsíquico” e abrir um “acesso ao mundo do esquizofrênico”, o Museu criou um método especial de ordenar e classificar as imagens produzidas pelos doentes mentais. Em seu acervo estão os testemunhos de vidas devoradas pelas imagens. Os desenhos, pinturas e esculturas componentes do acervo são representações das imagens em cujo mundo viviam atormentados os doentes-artistas. O Museu das Imagens do Inconsciente é mais uma documentação eloqüente da voracidade das imagens, desde aquelas mais primordiais e arquetípicas até aquelas que caracterizam o fecundo século XX, o chamado “século das imagens”.

Imagem nº 9
Leo Navratil
Foi o psiquiatra austríaco Leo Navratil, atuante durante muitos anos no Hospital Psiquiátrico de Gugging, perto de Viena, quem elaborou uma classificação dos principais traços expressivos das imagens produzidas pelos esquizofrênicos. Navratil detecta grandes traços estruturais como ‘fisionomização’, ‘geometrização/ritmização’ e ‘simbolização’. A freqüência com que ocorrem estes elementos estruturais nos desenhos e pinturas, na poesia e na escultura dos pacientes de Gugging, oferece a Navratil uma prova irrefutável sobre a tipologia das imagens que atormentam seus doentes. E oferece aos estudos da imagem, da comunicação e da cultura um caminho instigante para compreender a obsessividade do assédio a que nos submetemos. A fértil produção de imagens no decorrer do século que recém findou, independentemente de seu âmbito de origem, tem sempre presente ao menos um dos traços da expressividade esquizofrênica. A obsessão pelas fisionomias conhecidas e pelos ídolos, pelas caras e pela visibilidade fisionômica, a frenética repetição, a insaciável recorrência das mesmas imagens em evidência, a adoração pelos formatos padronizados, previsíveis e sempre os mesmos, a adoração dos símbolos e obediência cega a seus preceitos são alguns dos evidentes traços da subordinação humana em relação ao mundo das imagens. A contribuição de Leo Navratil, reconhecida internacionalmente, ainda se restringe ao pequeno mundo da psiquiatria, não tendo podido, por enquanto, frutificar em universos cognitivos mais amplos.

Imagem nº 10
As cavernas das imagens
A imagem também se constitui em diálogo com seu entorno. Assim temos que considerar seu espaço circundante como parte integrante essencial das imagens. As cavernas nas quais nasceram as primeiras manifestações artísticas, ao lado de serem locais de provável culto e provável introspecção, eram incubadoras de imagens, espaços nos quais o homem se permitia conviver lado a lado com suas imagens, conferindo ao seu imaginário, um tipo de “segunda realidade” (Ivan Bystrina), em primeiro lugar, o mesmo status que ele próprio possuía. Depois conferiu a elas o poder sobre seu próprio destino. Nesses espaços o homem elevou as imagens à condição de divindades. O espaço das cavernas de imagens migrou para os espaços das religiões, os templos, as catedrais, as mesquitas, as capelas. Sempre povoados pelas imagens, ora em suportes visíveis, ora na presença apenas de formas abstratas da arquitetura e da decoração, nas escritas das paredes ou apenas nas paredes das mentes, o espaço fechado dos templos assumiu o papel de útero das imagens que acompanhariam o homem em sua lida diária. Sua função era oferecer aos homens o alimento imaginal, enquanto sua própria imagem era de espaço de auto-sacrifício, entrega e regressão. A migração seguinte se dá na transferência das imagens para as salas de viver, o espaço social e nobre das moradias. Nesses espaços nos entregamos sem culpa, no calor da privacidade e no fim da resistência corporal, no estertor das coerções calendárias do dia (Harry Pross), nos entregamos à voracidade das imagens. Do “living room” ao “chatroom”, passando pelo “showroom” e pelos “sites”, o que caracteriza a todos é a proposta de aconchego, mas não mais acompanhado da introspecção, mas da ‘extrospecção’. Nestes espaços, como nas cavernas e nos templos, não estamos mais exercendo nossa capacidade de ver, mas nos colocamos como objetos para sermos vistos. Nos ofertamos ao olhar das imagens. Já não vemos as imagens, apenas somos vistos por elas.

Imagem nº 11
Corredores de imagens
Como nômade e caçador, o homem aprendeu a se apropriar das imagens à margem de seus caminhos. E, de volta ao calor e à fogueira do agrupamento, aprendeu a alimentar o imaginário dos outros de seu grupo, com as cenas apreendidas ao longo de suas estradas. A caçada buscava não apenas alimento, mas também imagens, das quais todos se alimentavam, caçadores e sedentários. Os caminhos, por terra ou por mar, sempre foram povoados por imagens. Para poder apropriar-se delas era necessário resistir ao seu poder de sedução ou vencer sua astúcia e/ou força física. O encanto das viagens na reside em outro lugar que não seja o da busca de imagens (visuais, acústicas, olfativas, gustativas, táteis ou vivenciais). Os caminhos, estradas e rotas de imagens, no entanto, migraram para as grandes avenidas, com painéis, outdoors e displays, luminosos e banners. Novamente o que ocorre é que, encerrados em nossas naves, somos presa fácil para as imagens que saltam sobre nós, que nos assaltam. A apropriação é mais uma vez inevitável: não somos chamados a ver, somos vistos pelas imagens. Exatamente assim ocorre também nas modernas avenidas da informação, as chamadas infovias e suas ferramentas de navegação. Não temos o direito de não olhar, escravos que nos tornamos de nossos olhos. E, com isto nos despedimos das sagas dos heróis que resistiram aos monstros devoradores e retornaram para produzir suas próprias imagens.
Norval Baitello Junior
28/mar/2000
Doutor em Ciências da Comunicação e Literatura Comparada pela Universidade Livre de Berlim. Coordenador do Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Semiótica da Cultura e da Mídia, junto à Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Diretor da Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC-SP. Autor dos livros: "Die Dada-Internationale. Der Dadaismus in Berlin und der Modernismus in Brasilien" e "O Animal que Parou os Relógios. Ensaios de Semiótica da Cultura e da Mídia".
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 22:52 0 comentários

O PODER DA IMAGEM

Postado por Liliam Padilha Ferreira às 22:06 0 comentários

Foucault- vigiar e punir



RESENHA ACERCA DO CAPÍTULO II DO LIVRO: VIGIAR E PUNIR DE MICHEL FOUCAULT.

* Por Fábio Santos de Andrade
* Publicado 15/08/2009
* Sociedade e Cultura , Resumos e Resenhas , História , Filosofia , Educação , Direito

O BOM ADESTRAMENTO.

Resenha acerca do capítulo II do livro: Vigiar e punir de Michel Foucault.

Fábio Santos de Andrade

Julho de 2009

Capítulo II

Os recursos para o bom adestramento

Discute-se como as práticas avaliativas tornaram-se dispositivos de vigilância permanente e de bom adestramento docilizando corpos e mentes. Há um constante jogo de poder/saber que se evidencia na avaliação: desde a sujeição dos alunos e alunas às regras estabelecidas na e pela escola, até a circunscrição do que é permitido, ou não é permitido, pela sociedade para transformar algo em saber escolarizável. Examinam-se como as práticas avaliativas podem gerar efeitos relacionais de controle e de disciplinamento, mediante práticas de sujeição e de resistência operadas pelo entrecruzamento de tecnologias de si e relações de poder, interferindo na constituição de subjetividades.

A vigilância hierárquica

O sonho de uma sociedade perfeita é atribuído, historicamente, aos filósofos e juristas das Luzes. Mas Foucault, céptico quanto à bondade das suas intenções, considera que havia sobretudo um sonho de militarizar a sociedade, tendo como referências fundamentais as engrenagens de uma máquina, as coerções permanentes, os treinos indefinidamente progressivos, a docilidade automática. Enfim, uma espécie de disciplina nacional, o que implicava a vigilância hierárquica, a sanção normalizadora e o exame, como formas por excelência de adestramento dos corpos e das mentes. Começa por afirmar que, na época clássica, a par das grandes descobertas científicas, se desenvolveram técnicas de vigilância, olhares que viam sem ser vistos, verdadeiros observatórios da multiplicidade humana que almejavam um saber novo sobre o homem, através de técnicas e de processos que o submetessem e permitissem a sua utilização. E o paradigma desses observatórios seria o acampamento militar, com a sua geometria, as suas filas, as suas colunas, a distribuição espacial das tendas.

A sanção normalizadora

No contexto histórico de suavização das penas generaliza-se a idéia de utilizar a prisão para cumprimento de praticamente todas as penas e castigos. Os reformadores não a aceitavam porque aparecia marcada pelos abusos do poder despótico do soberano, e chegam mesmo a pedir a sua supressão. Mas, surpreendentemente, em menos de 20 anos a prisão mudou de estatuto. O Império decidiu-se pelo encarceramento como medida ótima e programou um grande edifício carceral, ajustado aos patamares da divisão administrativa, uma grande arquitetura, complexa e hierarquizada, integrada no corpo do aparelho do Estado. O patíbulo e o cadafalso do corpo do supliciado cedem lugar a uma materialidade totalmente diferente, a uma física do poder totalmente diferente, a uma maneira totalmente diferente de investir o corpo do homem. Os muros altos da prisão passam a simbolizar os novos castelos da ordem civil, em França e por toda a Europa.

Neste contexto, na época clássica foram construídos alguns dos que viriam a ser considerados os grandes modelos do encarceramento punitivo. O objeto da pena não eram já representações, mas de novo o corpo e a alma do indivíduo. Os instrumentos utilizados não eram mais os discursos, os sinais, as mensagens implícitas, como na época dos suplícios, mas formas de coerção, esquemas de limitação, exercícios repetidos. A finalidade já não era reconstruir o sujeito de direito, o cidadão preso ao pacto social, mas de novo o sujeito obediente, o indivíduo sujeito a hábitos, regras e ordens, e que interiorizaria uma autoridade exterior a si.

O exame

O exame, em Foucault, é um conceito muito mais abrangente que um mero jogo de perguntas e respostas, um sistema de notas ou classificações. O exame é válido para todas as ciências humanas, da psiquiatria à pedagogia e ao diagnóstico clínico, passando pelo simples ato de contratação de mão-de-obra. E tão importante é, que Foucault considera mesmo que uma das condições essenciais para a libertação epistemológica da medicina, no final do séc. XVIII, foi à organização do hospital como aparelho de examinar. As inspeções e visitas médicas de antes, irregulares, rápidas e descontínuas, transformaram-se numa observação regular, que punha o doente em situação de exame quase permanente. Quanto ao hospital em si, de local de assistência vai passar, por força do exame, a local de formação e aperfeiçoamento científico, de constituição de um saber, de afirmação da disciplina médica. O mesmo processo e o mesmo tipo de modificações atravessam a escola, tornada uma espécie de aparelho de exame ininterrupto que, para além de medir, classificar e sancionar, força uma comparação permanente de cada um com todos. Representando uma verdadeira e constante troca de conhecimentos e saberes do mestre para o aluno, a escola torna-se no local de elaboração da pedagogia, e marca o nascimento desta como ciência. No exército, por seu turno, em função de constantes inspeções e de manobras indefinidamente repetidas, desenvolveu-se um imenso saber tático.

Para Foucault, porém, a mais relevante consequência do exame situa-se ao nível da individualidade do indivíduo. No exército, nos hospitais e nos estabelecimentos de ensino, foram criadas e desenvolvidas técnicas e inovações importantes (registros e anotações escritas) relativas à identificação, à descrição, à evolução dos corpos e das mentes, consubstanciadas numa série de códigos homogeneizantes: código físico, código médico, código escolar, código militar que, ainda que bastante rudimentares na sua forma qualitativa e na sua forma quantitativa, marcam o momento de uma primeira formalização do individual dentro das relações do poder.

ANÁLISE CRÍTICA

Dependendo das épocas e dos regimes em vigor, bem como das tradições, dos usos e dos costumes dos povos, assim essa tentativa de subjugação usou táticas, estratégias e técnicas mais ou menos violentas (os suplícios), mais ou menos "viris" (o encarceramento), mais ou menos refinadas (a separação, o isolamento). Com todas se pretendia castigar ou, numa perspectiva mais humanizada, tratar o diferente até que se rendesse e acabasse por se tornar igual. A uniformização, a homogeneização, foram e são utopias de qualquer poder, político, econômico, corporativo, social... Alma sã em corpo são, objetivo já perseguido na Antiguidade Clássica pelos gregos continua a ser, através dos séculos e dos diferentes modelos políticos, aquilo que se efetivamente se pretende: chegar à alma, ou à mente do homem, através da disciplina/subjugação do seu corpo, disciplinando-a e subjugando-a também: controlar a mente através do controle do corpo.

Referência Bibliográfica

FOUCAULT, M. vigiar e punir. Petrópolis: ED. VOZES, 2003.
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 21:29 1 comentários

RESPEITO E AMOR A MÃE GAIA



A Carta do Cacique Seattle, em 1855



Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:


Cacique Seattle "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exauri-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 02:04 0 comentários

PONTO DE FOCO- ICONOGRAFIAS













Postado por Liliam Padilha Ferreira às 01:53 0 comentários

Imagens que mentem; manipulação fotográfica em favor da mídia.

Imagens que mentem; manipulação fotográfica em favor da mídia.

Lucas Antônio Morates[1]

Resumo: Este artigo contém resultados decorrentes da pesquisa realizada em torno da iconografia. A invenção da fotografia surge como parte de um grande processo de transformação econômica, cultural e social da Europa, assim como do resto do mundo. Tal procedimento viria influenciar completamente os rumos da história. Ocorre uma nova possibilidade de inovação, conhecimento e registro. Um instrumento de apoio à humanidade. Graças à fotografia, torna-se possível assimilarem-se cenários, eventos, fatos com muito mais precisão e abrangência. Fotografia essa que é apresentada como o real produzido. Porém com manipulações e possível transformar esse real em um ideal ideológico. O foco central é a fotografia digital cada vez mais popularizada e sob as manipulações aplicadas nessas icnografias.

Palavras chaves: Fotografia; memória; manipulação; mídia.

A visão é considerada um dos cinco sentidos que permitem inúmeros seres vivos aprimorarem as suas percepções do mundo, dentre eles o ser humano. Vivemos numa sociedade onde a informação e a cultura tem um tratamento predominantemente visual.

Hoje em dia existe uma máxima em relação às imagens e talvez todos já tenham ouvido pelo menos uma vez "uma imagem vale mais que mil palavras", assim acredita-se que na nossa sociedade as imagens falam por si só. Na maioria dos casos a imagem é considerada a representação fiel do real, mas na realidade carrega diversos significados e atributos acrescidos pelos meio em que são vinculadas e pelo meio a qual estão associadas.

A invenção da fotografia não é obra de um só autor, mas um processo de acúmulo de avanços por parte de muitas pessoas, trabalhando juntas ou em paralelo ao longo de muitos anos. Se por um lado os princípios fundamentais da fotografia se estabeleceram há décadas e, desde a introdução do filme fotográfico colorido, quase não sofreram mudanças, por outro, os avanços tecnológicos têm sistematicamente possibilitado melhorias na qualidade das imagens produzidas, agilização das etapas do processo de produção e a redução de custos, popularizando o uso da fotografia.

Mas o que é uma fotografia? Nada mas é uma imagem técnica de natureza híbrida, em parte produzida por processos físico-químicos e em parte produzida pela mão do homem com auxílio de um aparelho ótico[2].

Em sua produção entram as concepções técnicas, políticas, sociais, culturais e estéticas do fotógrafo e da sociedade à qual ele pertence. A fotografia é uma imagem ambígua e polissêmica, passível de múltiplas interpretações de acordo com o meio que a veicula, seu intérprete, os contextos e os tempos de sua produção e recepção.

Observando a história da fotografia é possível perceber que as câmeras ficaram cada vez menores, mais automáticas, simples e baratas, o que torna as pessoas potências fotográficas, desde o mais solene evento ao mais banal, instante tudo passa a ser fotografado.

A fotografia propiciou, assim como outros meios de comunicação, um grande processo de globalização. Monumentos, pessoas, costumes, mitos, cerimônias religiosas, fatos sociais e políticos foram documentados pelas máquinas fotográficas de todo o mundo. Os retratos se tornaram a maior febre do século XIX, dividindo-se em vários formatos e processos. O homem então pôde trocar figurinhas, isto é, conhecer outras realidades que não lhe eram comuns, até então transmitidas por quadros, livros e imprensa escrita. Logo uma gama infindável dedetalhes passaram a ser conhecidos através da apresentação fotográfica.

Com o advento das tecnologias digitais no tratamento da imagem, essa manipulação torna-se mais evidente, os meios de comunicação social, não são exceção a essa adoção de novas tecnologias, onde pode-se enviar fotos de um ponto ao outro sem perda de qualidade e de tempo, e eliminam o processo de revelação química do filme convencional.

Nem tudo são flores, as tecnologias digitais arrastam consigo um perigo, o aumento considerável da capacidade de modificação e deturpação da imagem. Na verdade, a possibilidade técnica de modificar elementos visuais presente na imagem fotográfica existe praticamente desde que a mesma foi criada no século XIX, através de processos químicos feitos em laboratórios, mas com o advento das técnicas digitais configura-se uma maior capacidade de manipulação, através de diversos programas informáticos, que permitem alterações de todas as espécies (ajuste de luminosidade, corrigindo imperfeições, inserindo ou retirando elementos da imagem, entre muitas outras possibilidades). Programas cada vez mais poderosos permitem falsificar qualquer imagem aparentemente real.

Com as atuais tecnologias, a modificação das imagens deixam de ser um privilegio dos fotógrafos experientes, e tornam-se acessíveis ao público leigo. Os resultados obtidos são por vezes tão eficazes que se tornam identectáveis mesmo ao olhar de profissionais da fotografia.

Algumas dessas fotografias são feitas com puro objetivo de brincadeira, outras delas são no entanto mais perigosas são feitas com objetivos militares ou políticos. Há outras no entanto que são construídas com o objetivo de conseguir uma imagem espetacular e de grande impacto de algo que não existiu dessa forma.

Algumas dessas imagens chegaram mesmo a ser publicadas na imprensa, levando mesmo ao despedimento de alguns repórteres fotográficos, com a justificação de manipulação de imagens.

A fotografia como forma de registro da imagem, tem assumido ao longo de sua existência um caráter essencialmente documental, servindo "antes de tudo para testemunhar uma realidade, depois, para recordar a existência dessa mesma realidade" [3]

Justifica-se assim a grande utilização por parte da mídia, pois a imagem assim registrada torna-se informação visual e contribui para o conhecimento e, também para a compreensão dos acontecimentos.

Porém a imagem fotográfica é inerentemente ambígua, transmite não apenas a imagem da "realidade literal", mas também uma "versão da realidade". Bauret sustenta que a fotografia não é uma produção de imagens inocentes, causal ou mecânica.

O problema que se coloca é que a imagem fotográfica pode ser modificada de forma a transformar a realidade inicialmente registrada. A fotografia é considerada uma falsificação quando se descobre que engana quem a vê quanto à cena que afirma representar. Esta deturpação pode ocorrer em momentos distintos, antes do registro da imagem (fotografias encenadas), no momento do registro (por exemplo, escolhendo um determinado enquadramento em detrimento de outros), e após a imagem ser sido registrada (alterando, de diversas formas possíveis, os elementos visuais existentes na imagem).

Nos últimos anos, têm chegado ao conhecimento público diversos casos em que as imagens foram de alguma forma modificadas

O poder que uma imagem possui, em muitos casos passa despercebido por nós. O historiador norte-americano Peter Burke (2001), em seu livro Testemunha Ocular, mostra que a imagem é uma fonte rica para investigar os acontecimentos. Porém o autor faz uma ressalva e alerta para como os fatos históricos e seus personagens construíram essas documentações, procurando ressaltar os aspectos que não necessariamente eram os fatos reais.

Exemplificando Burke mostra como pintores consagrados da história da arte como Ticiano, que modifica a aparência de determinado rei, papa ou príncipe no intuito de disfarçar possíveis deformidades daqueles que haviam encomendado o retrato. Desta forma as imagem contribuíram para criar uma outra imagem do real.

Na perspectiva de Burke, deveríamos voltar a ver as imagens, já que antes da utilização da escrita como forma de comunicação para todos, essa era a única maneira de difundir idéias e leis. A sociedade atual preocupa-se em produzir imagens e não em lê-las e descobrir o que seus enunciados simbólicos estão afirmando.

Autores como Guy Deborat (1997) trabalharam esse tipo de informação tento esse autor chamado de "Sociedade do espetáculo", onde tudo toma dimensões espetaculares, gerando falsa consciência. As imagens seriam para esse autor a concretização dessa alienação, na "Sociedade do espetáculo" , recebem novos atributos, além de se tornarem meio de propagação e construção de discursos ideológicos.

Nessa sociedade não importa o que é real, mais sim a imagem que foi criada. Existe uma preocupação com o que é apresentado como a realidade, mas não com o que é de fatoreal, passa a ser sempre uma realidade forjada. Cada imagem fotográfica a um discurso subentendido.

Na "sociedade do espetáculo", o excesso da produção imagética nos bombardeia diariamente, proporcionando um anestesiamento crítico dessa produção. Perde-se a capacidade de leitura e de percepções da imagem devido ao aumento na produção imagética, fixando somente os estereótipos simbólicos e retemo-nos somente a superfície.

"Na nossa época, quando as imagens ganham novamente preeminência sobra a palavra escrita, falta-nos esse vocabulário visual compartilhado. Temos permitido que a propaganda e a mídia eletrônica privilegiem a imagem para transmitir informações instantaneamente ao maior número de pessoas, esquecendo que a própria velocidade a converte em ferramenta ideal de comunicação para toda a sorte da propaganda, porque manipuladas pela mídia, essas imagens não nos dão tempo para a crítica ou reflexão pausada".[4]

Boris Kossoy, em seu livro Realidades e ficções na trama fotográfica, busca compreender a imagem fotográfica como possuidora de uma relação ambígua entre os papeis de representação e de prova de documentação.

Em outro texto de sua autoriaA construção nacional na fotografia brasileira: o espelho europeu, Kossoy produz uma análisesobre o uso da fotografia no Império de Dom Pedro II e pela elite brasileira, no intuito de reconstruir um imaginário de um Estado civilizado.

Kossoy afirma que "é a ideologia que irá sepultar certos fatos ou recuperar outros. A fotografia sempre teve e estará à disposição das ideologias, prestando-se aos mais diferentes usos".[5]

As imagens fotográficas acabam por ter um papel mercantil, alternado seu aspecto de registrar e congelar o instante para se tornarem produtos consumíveis, que têm, às vezes a função de contribuir para a cristalização e a banalização de indivíduos.

Exemplificando, as fotografias clássicas que carregam discursos ideológicos como a do rosto do Che, a fotografia da menina fugindo do bombardeio de sua cidade com o corpo queimado entre outras, se transformam em produtos, sendo estampas em camisetas ou vendidas em loja como souvenir, deixando de nos chocar e tranformando-se em meros clichês imagéticos"[6].

"Como acreditar em um novo regime de Controle e de Poder, com seus suportes de propaganda, suas mídias, seus vínculos audiovisuais e televisivos, atuem de modo a produzir clichês que circulem no exterior e no interior das pessoas, de tal modo que cada um só possua clichês psíquicos dentro de si, clichês que impedem de ver as imagens que vêm de fora ? Devemos nos perguntar se realmente se vivemos a civilização da imagem ou a civilização clichê. Os clichês são imagens que supõem um espaço de interioridade. Ou seja, territórioscapturados e imóveis, conjuntos e fronteiras estáveis, corpos orgânicos. O grande desafio para aquele que produz imagensé justamente saber em que sentido é possível extrair imagens dos clichês, imagens que nos permitam realmente "viajar". Se tudo não parece uma ficção, se tudo parece conspirar para uma desmaterialização do mundo, se temos dificuldades em viver a história, é porque tudo parece já ter sido programado, preestabelecido, construído, calculado"..[7]

Para Roland Barthes, a fotografia jornalística é uma mensagem constituída por:

"uma fonte emissora, um canal de transmissão e um meio receptor. A fonte emissora é a redação do jornal, seu grupo de técnicos, dos quais alguns fazem a foto, outros selecionam, a compõem e retocam e outros, enfim, a intitulam, a legendam, a comentam. O meio receptor é o público que lê o jornal. E o canal de transmissão é o próprio jornal, ou, mais exatamente, um complexo de mensagens concorrentes cujo centro é a fotografia; os complementos que a circundam são o texto, o título, a legenda, a diagramação e, de maneira mais abstrata não menos informante, o próprio nome do jornal...".[8]



Considerações Finais

Comesse breve artigo percebemos que a fotografia como qualquer outra fonte de registro, por si só não constitui uma fonte de informação precisa e completa; isoladamente é como um ínfimo fragmento da história, precisando interagir com outros complementos ou fontes, quer sejam escritas, quer sejam visuais ou de outras naturezas para uma verdadeira apreciação de seus registros. É sabido que "uma imagem vale por mil palavras", mas esta frase só faz sentido se de fato o intérprete conseguir extrair a maior quantidade de palavras (no sentido de significado)ocultadas na fotografia, não apenas as ligadas ao primeiro contato visual. A fotografia gravou com fidelidade uma parcela da realidade que se situava no campo da objetiva.

Quando observamos uma fotografia, devemos ter a consciência de que a interpretação do real será forçosamente influenciada por uma ou várias interpretações anteriores. Apesar da ampla potência de informações contidas em uma imagem (ela não substitui a realidade como um todo, tal como se deu no passado), ela apenas traz informações visuais de um fragmento do real selecionado.
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 01:40 0 comentários

sexta-feira, 12 de março de 2010

SORRIA

Postado por Liliam Padilha Ferreira às 08:09 1 comentários

TOCANDO EM FRENTE

Tocando em Frente
Almir Sater
Composição: Almir Sater e Renato Teixeira

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia.
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
e no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:20 0 comentários

quarta-feira, 10 de março de 2010

PERSONAS



No livro O eu e o inconsciente Carl Gustav Jung analisa o delicado equilíbrio entre as partes que compõem a mente, o consciente e o inconsciente, e nos coloca diante de questões fantásticas pro campo da psicologia e metafísica, como a possibilidade da persona (a "máscara" da qual nos revestimos pra autar como indivíduo) ser um mero recorte (algo emprestado) da psique coletiva, o que nos faz meditar sobre o quanto somos indivíduos e o quanto somos produto do meio...

Mas, não foi por isso que resolvi fazer este post, e sim pra mostrar um trecho onde nosso querido Jung disseca um tipo psicológico muito em voga nos meios esotéricos (e esquisotéricos), e já falado aqui no blog: o profeta (ou ajudante de profeta).

Porquanto creia que é legal receber (e divulgar) comunicações de cunho espiritual, especialmente se forem pra nos alertar de coisas que possamos corrigir pro futuro, quando isso ganha contornos de culto, obsessão ou dogma, até mesmo com prejuízos para a própria pessoa, aí é caso pra psicólogo. Pessoas nesse caso (e seus seguidores) normalmente ficam revoltadas por achar que psicólogo é caso pra doido varrido, gente em camisa-de-força, e não se aplica pra os "gloriosos contatados" das orbes celestiais, mas vale sim, porque o tal contatado tem mente como qualquer pessoa, e está sujeito às influências do inconsciente - pessoal e coletivo - como qualquer outra pessoa!

É aí que entra o texto de Jung, que nos mostra que o inconsciente sempre tenta compensar (equilibrar) o conteúdo do consciente, geralmente (mas não necessariamente) com oposições. Quando há um desequilíbrio, causado por uma consciência falha, entra em ação a atividade automática do inconsciente, visando a geração de um novo equilíbrio. Mas Jung aponta que tal meta será alcançada sempre que a consciência for capaz de assimilar os conteúdos produzidos pelo inconsciente, isto é, quando puder compreendê-los e digeri-los. Se o inconsciente dominar a consciência, desenvol-ver-se-á um estado psicótico. No caso de não prevalecer nem processar-se uma compreensão adequada, o resultado será um conflito.

Assim, no capítulo IV ("Tentativas de libertar a individualidade da psique coletiva") Jung nos fala que "se os conteúdos do inconsciente chegarem à consciência, como o indivíduo reagirá? Será dominado pelos conteúdos? Aceita-los-á credulamente? Rejeita-los-á? O primeiro caso significa paranóia ou esquizofrenia; o segundo torna o indivíduo um excêntrico, com certo gosto pela profecia, ou então pode fazê-lo retroceder a uma atitude infantil, apartando-se da sociedade humana; o terceiro significa a restauração regressiva da persona". Mas é o segundo caso o que mais nos interessa:
Identificação com a psique coletiva

A segunda possibilidade seria a identificação com o inconsciente coletivo. Isto equivaleria a aceitar a inflação, exaltada agora como um sistema. Em outras palavras, o indivíduo poderia ser o feliz proprietário da grande verdade que o aguardava para ser descoberta, o senhor do conhecimento escatológico para a salvação das nações. Tal atitude não implica necessariamente a megalomania em sua forma direta, mas sim na forma atenuada e mais conhecida do reformador, dos profetas e mártires. As mentes fracas correm o risco de sucumbir a esta tentação, uma vez que geralmente se caracterizam por uma boa dose de ambição, amor-próprio e ingenuidade descabida. Abrir a passagem da psique coletiva significa uma renovação de vida para o indivíduo, quer seja agradável ou desagradável. Todos querem agarrar-se a esta renovação: uns, porque assim aumentam sua sensação de vida, outros porque vêem nisso a promessa de um maior conhecimento, ou então esperam descobrir a chave que transformará suas vidas. No entanto, os que não quiserem renunciar aos grandes tesouros enterrados na psique coletiva deverão lutar, de um modo ou de outro, a fim de manter a ligação recém-descoberta com os fundamentos originários da vida. A identificação parece ser o caminho mais curto, pois a dissolução da persona na psique coletiva é um convite direto para as bodas com o abismo, apagando-se toda memória nesse abraço. Este traço de misticismo é característico dos melhores indivíduos e é tão inato em cada qual como a "nostalgia da mãe", nostalgia da fonte da qual proviemos.

(...)

Não pretendo negar, em geral, a existência de profetas autênticos mas, por cautela, começarei duvidando em cada caso individual; o assunto é sério demais para que se aceite, levianamente, alguém como um verdadeiro profeta. Se for este o caso, ele mesmo lutará contra toda pretensão inconsciente a esse papel. Portanto, se num abrir e fechar de olhos aparecer um profeta, seria melhor pensarmos num possível desequilíbrio psíquico.

Mas além da possibilidade de converter-se em profeta, há outra alegria sedutora, mais sutil e aparentemente mais legítima: a alegria de ser o discípulo de um profeta. Esta técnica é ideal para a maioria das pessoas. Suas vantagens são: o odium dignitatis, isto é, o da responsabilidade sobre-humana do profeta, que é substituído pelo otium indignitatis, que é muito mais suave. O discípulo é indigno; senta-se modestamente aos pés do "Mestre" e se protege contra os próprios pensamentos. A preguiça mental torna-se uma virtude; pelo menos, é possível aquecer-se ao sol de um ser semidivino. Pode desfrutar do arcaísmo e infantilismo de suas fantasias inconscientes sem esforço algum, pois toda a responsabilidade é deixada ao Mestre. Através da divinização do Mestre, o discípulo se exalta, aparentemente sem que o perceba. Além disso, não possui a grande verdade (que, naturalmente, não foi descoberta por ele), recebida diretamente das mãos do Mestre? É óbvio que os discípulos sempre se unem com solidariedade, não por laços afetivos, mas com o propósito de confirmar suas próprias convicções, sem esforço, engendrando uma atmosfera de unanimidade coletiva.

Há, porém, uma forma de identificação com a psique coletiva, que parece muito mais recomendável; alguém tem a honra de ser um profeta, assumindo desse modo uma perigosa responsabilidade. Outro indivíduo, por seu lado, é um simples discípulo, administrador do grande tesouro que o Mestre alcançou. Sente toda a dignidade e o peso de uma tal posição e considera uma obrigação solene, ou mesmo uma necessidade moral, denegrir todos os que pensem diferentemente; sua preocupação é fazer prosélitos e iluminar a humanidade, tal como se ele mesmo fosse o profeta. São estas as pessoas que, se ocultando atrás de uma persona aparentemente modesta, irrompem de repente na cena do mundo, inflacionadas pela identificação com o inconsciente coletivo. Tal como o profeta, é uma imagem primordial da psique coletiva, o discípulo do profeta também o é.

Em ambos os casos, a inflação provém do inconsciente coletivo e a independência da individualidade é lesada. Mas uma vez que nem todos possuem a força de uma individualidade independente, a fantasia do discípulo é talvez a mais conveniente. As gratificações da inflação decorrente representam, pelo menos, uma pequena compensação pela perda da liberdade espiritual. Nem devemos subestimar o fato de que a vida de um profeta, real ou imaginário, é cheia de tristezas, desapontamentos e privações; assim, pois, o bando de discípulos e a gritaria dos hosanna têm o valor de uma compensação. Tudo isto é humanamente tão compreensível, que quase deveria surpreender-nos se conduzisse a algo mais além.
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:30 1 comentários



O REAL E OS SONHOS


Imagem do Instituto de Astrofísica das ilhas Canárias exibe restos de antigas galáxias que desapareceram há mais de 5 bilhões de anos

Estranho como uma coisa tão "real" pra nós, aqui na Terra, já não exista mais. Você aponta o telescópio e vê aquilo lá, e continuará vendo até o fim da sua vida, mas o que vê é apenas a luz de algo que já se apagou há 5 bilhões de anos. O que é real? A luz que chega às nossas retinas, ou a informação científica? Para um índio, as estrelas que vemos no céu são reais, tão reais quanto a crença de que são os espíritos dos seus ancestrais. Mas essa "realidade" é despedaçada quando nos esclarecemos, através de preceitos científicos e comprováveis, como a velocidade da luz. Aí então abandonamos nossas crenças de outrora, herdadas de nossa cultura imediata, para abranger uma cultura global, impessoal, e com isso passamos a ser mais racionais e críticos, com o risco de nos tornarmos a ser bidimensionais, padronizados, pausterizados pelo novo saber-comum que não dominamos inteiramente, mas aceitamos por ser o "certo".

Isso me lembra o conceito de inconsciente coletivo, brilhantemente intuído por Carl Jung. Um "compartimento" comum a todos os seres humanos, onde o espaço/tempo é relativo, e que era chamado na antiguidade de "simpatia de todas as coisas". Do inconsciente coletivo pegamos "emprestados" nossas máscaras (personas), que compõem nossa personalidade. De lá também vêm os arquétipos, instintos que parecem "dirigir" a história da raça humana em maior ou menor intensidade, através dos mitos.
"A alma primitiva do homem confina com a vida da alma animal, da mesma forma que as grutas dos tempos primitivos foram freqüentemente habitadas por animais antes que os homens se apoderassem delas."
(Carl Jung)

O perigo é quando tais imagens se apoderam do consciente:
"No fundo, não descobrimos no doente mental nada de novo ou desconhecido: encontramos nele as bases de nossa própria natureza"
(Carl Jung)

O mais fantástico disso tudo é que, por ter caráter coletivo, ao olhar para o inconsciente dos "outros", estamos também lidando com a matéria-prima do nosso próprio inconsciente:
"A alma é muito mais complexa e inacessível do que o corpo. Poder-se-ia dizer que é essa metade do mundo não existente senão na medida em que dela se toma consciência. Assim, pois, a alma não é só um problema pessoal, mas um problema do mundo inteiro, e é a esse mundo inteiro que a psiquiatria deve se referir."
(Carl Jung)


Conhece a ti mesmo

"O psicoterapeuta não deve contentar-se em compreender o doente; é importante que ele também se compreenda a si mesmo"
(Carl Jung)


EROS X INSTINTO DE PODER

No livro Memórias, sonhos e reflexões, Jung nos fala um pouco de duas forças em oposição que, ao meu ver, são centrais em nossas vidas:
Surgiu-me a idéia de que Eros e o instinto de poder eram como que irmãos inimigos, filhos de um só pai, filhos de uma força psíquica que os motivava e - como a carga elétrica positiva e negativa - se manifestava na experiência sob a forma de oposição; o Eros, como patiens, e o instinto de poder como um agens, e vice-versa. O Eros recorre tantas vezes ao instinto de poder como o instinto de poder ao Eros. O que seria um destes instintos sem o outro? O homem, por um lado, sucumbe ao instinto e, por outro, procura dominá-lo. Freud mostra como o objeto sucumbe ao instinto. Alfred Adler, como o homem utiliza o instinto para violentar o objeto. Nietzsche, entregue a seu destino e sucumbindo a ele, precisou criar um "super-homem". Freud - tal era minha conclusão - deve ter sido de tal forma subjugado pelo poder do Eros, que procurou levá-lo, como um numen religioso, ao nível de dogma aere perennius (eterno). Isto não é um segredo para ninguém: Zaratustra é o anunciador de um evangelho e Freud chega a competir com a Igreja através de sua intenção de canonizar doutrinas e preceitos.

Se Freud tivesse apreciado melhor a verdade psicológica que faz da sexualidade algo de numinoso - ela é um Deus e um Diabo - não teria ficado prisioneiro de uma noção biológica mesquinha. E Nietzsche, com sua exuberância, talvez não tivesse caído fora do mundo se tivesse permanecido nos fundamentos da existência humana.

Cada vez que um acontecimento numinoso faz vibrar fortemente a alma, há perigo que se rompa o fio em que estamos suspensos. Então o ser humano pode cair num "sim" absoluto ou num "não" que também o é! Nirdvandva, diz o Oriente. O pêndulo do espírito oscila entre sentido e não-sentido, e não entre verdadeiro e falso. O perigo do numinoso é que ele impele aos extremos e então uma verdade modesta é tomada pela Verdade e um erro mínimo por uma aberração fatal. Tudo passa: o que ontem era verdade, hoje é erro, e o que antes de ontem era considerado um erro será talvez uma revelação amanhã... e isto é ainda mais válido na dimensão psicológica, acerca da qual, na realidade, sabemos pouquíssimo. Muitas vezes negligenciamos isto e estamos longe de levá-lo em conta: que nada, absolutamente nada existe, enquanto uma consciência, por restrita que seja - luz efêmera -, não o advirta.

Luz efêmera... E assim retornamos ao começo do post: luz. Folheando um antigo carderno de desenhos meus, de quando eu tinha 5 anos, achei uma frase minha desta época, que meu pai achou por bem copiar: "Quando a gente abre os olhos, o sonho se fecha". Deve ter sido meu primeiro insight quanto a realidade das coisas. Décadas depois retomo a linha de raciocínio amparado por Jung, que nos legou uma visão de sonho muito diversa da (corajosa e pioneira, diga-se de passagem) idéia de Freud: Enquanto para este o sonho é uma fachada atrás do qual seu significado se dissimula, se ocultando maliciosamente à consciência, para Jung os sonhos são natureza, e dizem o que podem dizer tão bem quanto os nosso olhos ou ouvidos, sem procurar nos enganar, e que talvez sejamos nós (consciência) que nos enganamos, por sermos míopes ou um pouco surdos pra captar a informação da forma adequada.

Será que o que por vezes conseguimos enxergar ("trazer à luz" da nossa consciência) não é apenas a luz débil de algo que brilhou intensamente e que já não existe mais?
Psicologia - publicado às 4:35 AM 38 comentários
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:19 0 comentários

A PRIMEIRA MÃE



A DEUSA NEGRA

Lilith, é uma variação hebraica (e não judaica) da deusa sumeriana Lil - que significa "tempestade" -, muitas vezes reconhecida como a outra face de Inanna. Seu nome também parece estar relacionado à "coruja", provavelmente pelos seus hábitos: uma sinistra ave de rapina que se precipita, silenciosa, na escuridão, e que, não obstante, também simboliza a sabedoria. Por outro lado, o mito hebreu fala de como Lilith foi moldada de terra e esterco, provavelmente querendo refletir o potencial da terra adubada - o que a relaciona, também, com a SEXUALIDADE e FERTILIDADE.

A história que podemos lembrar de Lilith começa com Innana, a neta da deusa Ninlil, conhecida como "Rainha dos Céus". A história de Innana e Enki nos fala dos costumes sexuais sagrados, que são a dádiva de Innana para a humanidade.

Em seus templos se praticava a prostituição sagrada e suas sacerdotisas eram conhecidas como Nu-gig. Os homens da comunidade buscavam a Deusa nessas sacerdotisas e o ato sexual era sagrado, proporcionando a CURA FÍSICA E ESPIRITUAL. Nessa época,o nome de Lilith era o da Donzela, "mão de Innana", que pegava os homens nas ruas e os trazia ao templo de Erech para os ritos sagrados.

Entre 3000 e 2500 a.c., os sumerianos passaram a ter contatos com culturas patriarcais. Estas, para poderem dominar aquele povo, sabiam que deveriam atacar seu maior centro de poder: o templo do sexo sagrado. Para que a conquista dos sumérios pudesse ter lugar, as culturas patriarcais interessadas começaram a disseminar as idéias de repressão sexual, combatendo como malignas as práticas sexuais milenares dedicadas à Deusa. As práticas sexuais se tornaram então parte da sombra, o poder da mulher foi identificado com o mal e o demoníaco...

Daí, através dos séculos, a Donzela Lilith, que buscava os homens para o Templo de Innana, se tornou no patriarcado o símbolo do mal supremo. Ela encarna de todas as formas e por milênios o medo atávico do homem do poder sexual da mulher.

Mais ou menos em 2400 a.c. Lilith, o Espírito do Ar, foi distorcida como a primeira mulher de Adão, como encontramos em muitos mitos, como um demônio, que foi expulsa do Jardim do Éden. Lillith não é, originalmente, da mitologia cristã ou judaica (e muito menos bíblica - e por isso nem é mencionada nela).

Os hebreus não eram monoteístas como os judeus. Até pelo contrário: eram politeístas. E pautavam sua vida pessoal e comunitária pelos ciclos sazonais - o que os torna também pagãos. Só após a invasão e destruição de Israel pelas forças babilônicas, no século VI a.C., é que começa a surgir o Judaísmo, mais ou menos como hoje o conhecemos - monoteístas e patriarcais.

Os primeiros capítulos da Bíblia (Gênesis 1 a 3) não são os escritos mais antigos desse livro. Sua articulação final data mais ou menos do fim do Exílio na Babilônia e, portanto, traz uma profunda rejeição a tudo que fosse ligado ao "inimigo". A Árvore da Vida, a Serpente e até a própria figura da Mulher são tratadas com menosprezo exatamente para estabelecer uma distinção.

No entanto, é interessante lembrar que o significado do nome "Eva" é "MÃE DE TODOS", e Adão significa "FILHO DA TERRA" - e isso já é suficiente para estabelecer sua antigüidade em relação à própria Bíblia. Certamente trata-se de um mito passado de geração em geração, via oral (como de hábito naqueles povos), que falava de uma GRANDE MÃE e de seu Filho.

Os autores bíblicos inverteram a situação, transformando Adão praticamente num "Grande Pai" e Eva em sua "filha", posto que ela surge a partir dele - evidentemente, para tornar legítima a postura patriarcal que estavam adotando. Da mesma forma, a Árvore e a Serpente - que sempre foram símbolos da Grande Deusa no Oriente - torna-se, na Bíblia, representações do Mal - e é ai que o mito de Lilith pode ser melhor compreendido.

Obviamente, uma transição desse porte não aconteceu sem brigas, discussões e resistência por parte das mulheres. Submetê-las ao patriarcado deve ter sido um trabalho difícil e que demorou várias gerações. As mais resistentes muito provavelmente viram no mito de Lilith toda a sua força ideológica - o que também deve ter causado a reação contrária de transformá-la em um Demônio e mãe de todos os demônios.

Lilith transparece, no mito hebreu, como a mulher livre, sensual, sexual e até certo ponto selvagem. Aquela que não se submete a nenhum homem, mas SEGUE SEUS INSTINTOS E DESEJOS. Por isso ela é representada sobre leões - símbolo da força masculina. No fundo, é a mulher que todo homem deseja mas que também teme, e por isso mesmo, parece um "demônio tentador".

Lilith, na tradição matriarcal, é uma imagem de TUDO O QUE HÁ DE MELHOR NA SEXUALIDADE FEMININA - A NATUREZA DA MULHER, O PODER DO SANGUE MENSTRUAL, que é o poder da Lua Escura. O período normalmente dedicado a Lilith, naquela época, era exatamente o período menstrual. O momento em que as mulheres poderiam ter relações sexuais livres da possibilidade de gravidez e, por isso, tais relações estariam exclusivamente ligadas ao prazer (e não à procriação, como era a perspectiva patriarcal). Assim, muitas vezes, se referiu a essa Deusa como o "Espírito Menstrual".

A reação judaica foi muito rápida e fulminante: transformou em pecado e tabu o sexo no período menstrual - uma artimanha para solapar o culto a Lilith. A segunda foi criar "regras" para a relação sexual - particularmente, regras que garantiam o prazer masculino, mas negava e proibia o prazer feminino. Nesse quadro, Lilith figurava para as mulheres como a experiência sexual capaz de integrar mente e corpo (pois estava livre da gravidez), abrindo um caminho para os tesouros misteriosos do submundo feminino. É encarada como a mulher positiva e rebelde, a que não aceita os padrões patriarcais que marcam a menstruação com dores e vergonha.

Conhecer a figura de Lilith é lembrar de um tempo no passado antigo da humanidade em que as mulheres eram honradas pela INICIAÇÃO SEXUAL, onde expressavam sua LIBERDADE E PAIXÃO NATURAL.

Hoje, depois desses séculos todos de um patriarcalismo opressor, Lilith volta como uma DEUSA NEGRA, ou seja, a energia feminina trancafiada nos calabouços da psiquê de toda a humanidade: para os homens, ela é um desafio; para as mulheres, um arquétipo.

O que significa reivindicar os poderes de Lilith para a mulher de hoje? Na literatura mítica antiga havia 3 Liliths - que refletiam as fases de lua crescente, cheia e escura:

A Lilith crescente era Naamah, a Donzela Sedutora
Donzela é a mulher indômita, selvagem, livre, vibrante de energia, imprevisível como o vento. Sua resposta à vida é espontânea, vívida. Totalmente objetiva. Por mais bela que possa ser, não anseia por estabelecer relacionamento, mas para avaliar, experimentar e descobrir suas próprias formas de ordem.

A mulher mais velha pode ter sido limitada ou reprimida na juventude, e pode reivindicar a Donzela, conscientemente, para libertar seu espírito e encontrar a sua direção. Muitas crises de meia-idade são forjadas por uma Donzela enclausurada e confinada, precipitada muito cedo num casamento convencional, sem oportunidade de explorar alternativas na sexualidade ou na carreira.

Mulheres em motocicletas, em laboratórios, estudando as florestas e matas, dançando num palco, discursando na plataforma política - elas são a Donzela.

A Lilith Mãe era Nutridora
Na primavera ela abre seu corpo-terra para gerar crescimento novo e brilhante. No verão, ela envolve com braços protetores a terra ardente. Na época da colheita ela espalha amplamente sua generosidade, e, à medida que o frio aumenta, ela aconchega os animais em suas tocas no inverno, puxando as sementes para o profundo interior do seu útero até que volte a época do reverdecimento.

A Donzela pode inspirar nossos atos criativos, mas a Mãe está presente quando os produzimos.

E havia a Lilith Anciã, a Destruidora

Embora a Donzela seja procurada e a Mãe respeitada, a Anciã recebe pouca atenção. Mas é na Anciã que o poder feminino realmente se torna COMPLETO.

A Anciã é SÁBIA, observadora, tecelã, conselheira. Conhece os caminhos entre os mundos. Isso pode fazer dela uma personagem desconfortável, mas é um repositório de sabedoria feminina, do conhecimento acumulado da mulher que não menstrua mais, porém MANTÉM DENTRO DE SI O DEPÓSITO DO SEU PODER.
Na primeira, devemos confrontar as maneiras pelas quais nós somos reprimidos, buscando recuperar nossa dignidade. Na segunda, devemos integrar o desespero que vem de nossa rejeição, angústia, medo, desolação; e na terceira descobrimos o poder da transmutação e da cura dela decorrente, uma vez que ela corta nossas falsas retenções, desilusões e nos ajuda a encontrar nossa essência livre e selvagem. Priscila Manhães
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:09 0 comentários

terça-feira, 9 de março de 2010

CLARICE E EU! EU E CLARICE !


30
Clarice por Clarice 3
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 23:56 0 comentários

JUNG


JUNG,
Um Iluminado...

Discípulas-amantes ajudaram a criar teoria

Nelson Blecher (Fonte: Jornal "Folha de São Paulo", 08 de junho de 1991)

Enquanto Sigmund Freud viveu cercado por uma confraria de discípulos vienenses, a maioria de ascendência judaica, Carl Gustav Jung encontrou nas mulheres companhia para sua viagem abissal ao inconsciente. Sabina Spielrein, Toni Wolff, Barbara Hannah, Aniela Jaffé, Yolanda Jaccobi, Marie-Louise von Franz e Emma Jung, sua esposa, perfilam-se na linha de frente da corte junguiana.

Sabina e Toni foram primeiro pacientes, depois amantes e, simultaneamente, discípulas. Por quase 30 anos, Jung manteve um declarado triângulo amoroso envolvendo Emma e Toni, que inspirou o escritor Morris West no best-seller "Um Mundo Transparente"

Qualquer apressado julgamento moralista desses "affaires" deve considerar que, àquela altura, a psique ainda era ainda um território imensamente desconhecido para os próprios pioneiros da psicanálise. Tipo atlético, dotado de energética inteligência, Jung, exercia um fascínio sedutor sobre as mulheres - vaidoso, fez questão que seus biógrafos notassem essa qualidade.

A questão da transferência e da contratransferência, que ainda hoje rende polêmicas, só começava a ser arranhada.

Aldo Carotenuto, analista italiano que esteve em São Paulo participando de um congresso promovido para assinalar os 30 anos da morte de Jung, escreveu um obra crucial ("Diário de uma secreta simetria") sobre asa relações de Freud-Jung a partir de um maço de cartas de Sabina endereçadas aos dois gênios da psicanálise. Essa correspondência, segundo conta, foi encontrada acidentalmente num velho porão.

Foi graças ao relacionamento com as discípulas-amantes que Jung pôde tecer os fios do conceito de anima, o enigmático arquétipo que, se não for reconhecido, pode conduzir um homem de neuroses à perdição da loucura.

Como tudo está em oposição no universo da psicologia analítica, o mesmo ocorre com a anima, que evolui da Lilith selvagem à Sophia, rainha da sabedoria.

Entre as discípulas... brilha o nome de Marie-Louise von Franz. Seu legado aos alunos do Instituo C. G. Jung, de Zurique são palestras numinosas sobre temas que, nas mãos de outro qualquer, poderiam se transformar em soníferos: alquimia, mitologia grega, sonhos, contos de fadas.

Von Franz trabalhou com o simbolismo junguiano dos contos de fadas como Bruno Bettelheim o fez sob a ótica freudiana. São temas sobre os quais ela sempre foi capaz de discorrer por mais de duas horas sem um texto à mão, como atesta o seu ex-aluno, o analista Roberto Gambini. Tanto que as palestras, com raras modificações, foram transcritas em livros.... traduzidos pela Editora Cultrix, trazendo interpretações fundamentais para a compreensão da obra do mestre suíço.

Aconselho também esse link do meu Amado Toni:
http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/10/carl_jung_reloaded.html
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 23:46 0 comentários

ANTROPOGÊNESE DE GAIA


EQUILIBRIO - Palavra chave para nosso tempo, a urgência de se estabelecer uma ordem perene de paz com as forças que regem nosso planeta, é vital para a continuação da espécie humana, estimo entretanto que esse processso não seja tão facil , dada a urgência de mudançe paradigmas, a terra é um planeta pequeno, com recursos limitados, sozinha ela ja não consegue mais se auto-regular.

As relações entre o homem e seu útero natural se operou em profunda desigualdade, de ser inserido na natureza como parte dela, o ser humano transformo-se num ser fora e acima dela. Seu propósito de domina-la e trata-la como inquisitor, torturando-a até que ela entregue todos os seus segredos,está nos levando a resultados catastrófico.

È Tempo de fazer um balanço e perguntar : quando e onde começou o nosso erro!

O grande equilibrio que havia entre o homem e terra, que aproveitava tudo que abundantemente ela lhe dava sem interferência em seu curso foi logo superado. Inconformados passamos a interferir e se não bastasse passamos a agredir. Temos que reconhecer nosso erro.

O de termos nos afastado dela, e esquecer que ela é nosso unico Lar...........
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:02 0 comentários

segunda-feira, 8 de março de 2010

MULHERES...........AS LILITHI, EVAS E MARIAS......


Ser mulher

Não pedimos para ser, apenas somos
Não estudamos para amar, mas amamos
Não conhecemos os caminhos, mas seguimos
Não temos as direções, mas acertamos
Não sofremos por saber, só sabemos
Não provamos com antecedência, mas deglutimos
Não nos ensinam a ser mães, mas somos
Não nos disseram como perdoar, mas perdoamos
Não nos dizem como perder, e as vezes perdemos
Nem nos disseram como vencer, contudo vencemos
Alguém nos deve ter ensinado algumas coisas...
Como sentir a alma alheia...
Como ver o lado positivo das coisas aparentemente ruins
Como dar afeto ate a quem não sabe como amar
Como tocar os corações mais duros
E saber que dentro deles também há poesia
Como escutar as palavras ditas pelos olhos dos bebes
Como fazer sorrir, após uma lagrima
Como amar a beleza...como tocar uma rosa...
Como falar com beija flores...
Como conversar com a lua, e ser ouvida
Não sabemos como ser...
Mas somos...
Mulheres.

Márcia Poesia de Sá




AS MINHAS COMPANHEIRAS DE GÊNERO,

Clarice é tudo de bom, para um presente nesse dia. beijos



"Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.
Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte,
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre
Clarice Lispector



FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Obrigado ao Útero Universal
porção feminina de Deus
que gera a vida em todas as suas formas

Obrigado à Terra
Deusa Gaia
nossa Natureza mãe que nos dá a vida

Obrigado à Lua
Mãe Ancestral
que nos ensina a Arte de Curar

Obrigado à Mulher
parceira alquímica
que nos dá o Amor, Paixão e Orgasmo
e é receptáculo da vida

Obrigado minha Mãe
que me concebeu a Luz
e a oportunidade de continuar
o caminho do autoconhecimento
que me revela a divindade

Obrigado a todas as mulheres
e ao feminino Yin
presente em todas as coisas
que nos orienta a sermos
nutridores, doadores e fortes
mas, sem perder a ternura

Que a felicidade seja sempre
nosso destino.
NAMASTÊ.
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 10:47 0 comentários
Marcadores: OUTONO

sábado, 6 de março de 2010

AMAR AO HOMEM REAL

Amar o homem real
Não tenho nenhuma vontade de apaziguar vocês com palavras falsas, ocas e sem valor exortando vocês a amar a humanidade.

As assim chamadas religiões disseram essas coisas a vocês por gerações. Estou aqui para estimulá-los a amar o homem real, para amar seus companheiros — não a humanidade, mas o homem que vive e trabalha junto a você.

Humanidade é apenas uma palavra; humanidade é apenas um rótulo. Você não pode encontrar a humanidade em lugar nenhum. E, assim, a humanidade é fácil de amar porque a única coisa que você tem que fazer é declamar alguns chavões.

Osho, em "The Long and The Short and The All"
Imagem por TheAlieness GiselaGiardino²³
Poderá também gostar de:
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 15:02 0 comentários

reflexões Freudianas


«Poderiam perguntar-me se estou convencido, e até que ponto o estou, da legitimidade das ideias que desenvolvi. Responderia dizendo que nem eu mesmo me acho convencido, nem prego aos outros o dever de acreditá-lo; ou melhor, eu mesmo não sei até que ponto acredito nas opiniões que emiti» (Sigmund Freud)
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 11:56 0 comentários

sexta-feira, 5 de março de 2010

QUANDO COMEÇOU NOSSO ERRO



É tempo de fazermos um balanço e nos fazer a grande pergunta " Quando começou nosso erro..............

A maioria dos analistas diz que tudo começou ha cerca de dez mil anos com a revolução do neolítico, quando os seres humanos se tornaram sedentarios projetaram vilas e cidades a plantar, domesticar animais.será!
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 01:17 0 comentários



"AUSCHWITZ, COMEÇA EM QUALQUER LUGAR ONDE ALGUÉM OLHA PARA O MATADOURO E PENSA . SÃO APENAS ANIMAIS"
Theodor adorno - filósofo judeu alemão exilado por narzistas
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 01:05 0 comentários


Em relação aos animais todos os homens são nazistas. Isaac Bashevis Singer
escritor Polonês.judeu
Premio Nobel de Literatura
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:55 0 comentários

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

transcedendo...........




O mestre Lu-Tzu diz:
"Quando se começa a levar adiante a decisão, cuidados devem ser tomados para que tudo possa acontecer de uma maneira confortável e relaxada."
Essa é a primeira coisa a ser entendida. Uma vez que você tome a decisão de seguir o caminho para dentro, uma vez que você tome a decisão de ser um sannyasin, de ser um meditador, uma vez que você tome a decisão que agora o interior está chamando e você vai procurar e buscar pela questão 'Quem sou?', então a primeira coisa a ser lembrada é: não se mova de uma maneira tensa. Mova-se de uma maneira muito relaxada, certifique-se de que sua jornada interior está confortável. Isso agora é de imensa importância.


Normalmente esse primeiro erro acontece a todo mundo. As pessoas começam a fazer sua jornada interior desnecessariamente complicada, desconfortável. Isso acontece por uma certa razão. As pessoas estão raivosas com os outros em sua vida normal. Elas estão violentas com os outros. Em suas extrovertidas jornadas normais elas são sádicas: elas gostam de torturar os outros, de derrotar os outros, de competir com os outros, de conquistar os outros. Todo o seu prazer está em como fazer os outros se sentirem inferiores a elas.


Isso é a sua jornada extrovertida. Isso é a política. Essa é a mente política, constantemente tentando tornar-se superior aos outros, legalmente ou ilegalmente, mas mantendo o constante esforço para derrotar os outros, a qualquer custo. Mesmo que o outro tenha que ser destruído, então que ele seja destruído. Mas há que se vencer: ser o primeiro-ministro, ser o presidente, ser isto ou aquilo, a qualquer custo. E todos são inimigos, pois todos são competidores.

Lembre-se disto: toda a sua educação prepara-o e dá-lhe prontidão para lutar. Ela não o prepara para a amizade e o amor; ela o prepara para o conflito, a inimizade e a guerra.

Sempre que há competição, é muito provável que exista inimizade. Como você pode ser amigável com pessoas que estão competindo consigo, que são perigosas para você e para quem você é perigoso? Ou elas vencerão e você será derrotado, ou você será o vencedor e elas terão que ser derrotadas.

Assim, tudo o que vocês chamam de amizade, é simplesmente uma fachada, uma formalidade. É um tipo de lubrificante que faz a vida se movimentar suavemente, mas no fundo ninguém é amigo. Mesmos os amigos não são amigos pois eles estão se comparando, uns com os outros, brigando uns com os outros. Este mundo tornou-se um campo de guerra devido à educação orientada para a ambição e a política.

Quando um homem se volta para dentro o problema surge: o que ele fará com sua raiva, inimizade, agressão e violência? Agora ele está só; ele começará a se torturar, ele ficará raivoso consigo mesmo. Isto é o que são os chamados Mahatmas. Por que eles se torturam? Por que eles jejuam? Por que eles se deitam em camas de espinho? Quando existe uma árvore com uma bela sombra, por que eles permanecem em pé sob o sol quente? Quando está quente, por que eles se sentam ao lado do fogo? Quando está frio, por que eles permanecem em pé nus dentro dos rios ou na neve? Estes são os políticos invertidos. Primeiro eles estavam brigando com os outros. Agora não há com quem brigar e eles estão brigando consigo mesmos.

Eles são esquizofrênicos, eles estão divididos. Agora é uma guerra civil, eles estão lutando contra o corpo. O corpo é a vítima dos seus chamados Mahatmas. O corpo é inocente, ele não fez coisa alguma errada para você, mas as suas chamadas religiões seguem ensinando que o corpo é o inimigo; torture-o.

A jornada extrovertida era uma jornada de sadismo. A introvertida se torna uma jornada de masoquismo, você começa a se torturar. E existe um certo prazer, uma certa alegria pervertida em se torturar. Se você pesquisar na história, ficará surpreso, você não acreditará no que o homem tem feito consigo mesmo.

Pessoas têm ferido seus corpos e têm mantido aquelas feridas sem curá-las; porque o corpo é o inimigo. Existem seitas cristãs, seitas hindus, seitas jainas e muitas outras que se tornaram muito astutas, habilidosas e eficientes no que diz respeito à tortura do próprio corpo. Eles desenvolveram grandes métodos de como torturar o corpo. (...)

Toda espécie de estupidez tornou-se possível por causa de um simples erro. O erro é: enquanto você vive externamente, você tentar fazer com que a vida seja difícil para os outros; e quando você começa a se voltar para dentro, existe uma possibilidade de que a velha mente tentará fazer com que a sua vida seja difícil. Lembre-se de que o buscador interior tem que estar confortável, porque somente numa situação confortável, num estado relaxado, alguma coisa pode acontecer.

Quando você está tenso e desconfortável, nada é possível. Quando você está tenso e desconfortável, sua mente está preocupada, você não está num espaço de silêncio. Quando você está faminto, como você pode estar num espaço de silêncio. E as pessoas têm ensinado a jejuar e dizem que o jejum o ajudará a meditar.

Uma vez ou outra, o jejum pode ajudá-lo a ter uma saúde melhor, ele tirará alguns quilos do seu corpo, quilos desnecessários. Mas o jejum não pode ajudar a meditação. Quando você está jejuando, constantemente estará pensando em comida. (...)

As pessoas que estão reprimindo suas fomes, estão constantemente pensando em comida. É natural. Como você consegue meditar? Quando você está jejuando, cardápios e mais cardápios começam a flutuar em sua mente, eles vêm de todos os lugares; belos pratos. Com todo o cheiro de comida, pela primeira vez você começará a sentir que seu nariz está vivo, e que sua língua está viva. É bom jejuar de vez em quando para que você possa se interessar novamente pela comida, mas isso não é bom para a meditação. É bom para que seu corpo fique um pouco mais sensitivo e assim você possa saborear novamente. O jejum deve estar a serviço da festa.

É bom não comer de vez em quando, assim o apetite pode voltar. Para a saúde é bom, mas a meditação nada tem a ver com isso. Será mais difícil meditar quando você está com fome do que quando você está totalmente satisfeito. Sim, comer demais lhe trará problemas de novo, porque quando você come em demasia você se sente sonolento. E quando você não come nada você se sente faminto.

Estar no meio é o caminho certo: o Meio Dourado.

Coma de modo que você não sinta fome, mas não coma demais para você não ficar sobrecarregado, sonolento. E a meditação será mais fácil. O Meio Dourado tem que ser seguido de todas as maneiras, em todo tipo de situações.

Esteja confortável, esteja relaxado. Não há qualquer necessidade de se torturar, nem de criar problemas desnecessários. Abandone essa mente de raiva, violência e agressão; e somente então você conseguirá mover-se para dentro. Porque somente numa consciência relaxada é possível flutuar internamente, cada vez mais fundo. Em completo relaxamento alcança-se o centro mais interno. (...)"


Osho, em "The Secret of Secrets"
Tradução: Sw. Bodhi Champak
Imagem por Armando Maynez
www.palavrasdeosho.com
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 22:27 0 comentários

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010



' sabia que, no seio da mãe terra dorme a semente do céu..............
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 21:52 0 comentários

domingo, 7 de fevereiro de 2010

SE VOCE QUER SER FELIZ........................





“(…) O que os outros dizem é verdade só para eles. É como eles expressam a experiência de vida deles. Mas se você aprender a escutar, verá que entre essas mentiras a verdade aparece. E você conseguirá perceber essa verdade. Se você não acreditar em si mesmo, se não acreditar em mais ninguém – nem em mim – todas essas mentiras não irão sobreviver, mas a verdade irá sobreviver. Acreditando ou não, o sol estará no céu todo dia. Não é preciso acreditar na verdade para que ela exista. Mas para as mentiras existirem é preciso que se acredite nelas.”

Don Miguel Ruiz (autor de “Os Quatro Compromissos“)

“Se você quiser ser feliz um d
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 00:08 0 comentários

sábado, 6 de fevereiro de 2010

voce mesmo......................

Seja apenas quem você é

Posted: 04 Feb 2010 06:29 PM PST
Seja apenas quem você é e não dê a mínima para o mundo.

Então você sentirá um imenso sossego e uma profunda paz no coração. Isso é o que os zen-budistas chamam de "face original" — sossegada, sem tensão, sem pretensão, sem hipocrisia, sem as assim chamadas disciplinas acerca de como deve se comportar.

E, lembre-se, a face original é uma belíssima expressão poética, mas não significa que você terá um rosto diferente. Essa mesma face que você tem se livrará de toda tensão, ficará descontraída, não julgará ninguém nem coisa alguma, não achará que ninguém é inferior.

Essa mesma face, sob esses novos valores, será sua face original.

Osho, em "Coragem — O Prazer de Viver Perigosamente"
Imagem por Lucas Hoyos
www.palavrasdeosho.com
Postado por Liliam Padilha Ferreira às 23:49 0 comentários
Postagens mais recentes » « Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Postagens (Atom)

Atalho do Facebook

Liliam Padilha

Criar seu atalho

FUI INDICADO

FUI INDICADO

quem sou eu

Minha foto
Liliam Padilha Ferreira
Recife, PE, Brazil
alguem em constante metamorfose
Ver meu perfil completo

o verdadeiro eu

o verdadeiro eu
transcendendo o ego

BRASÃO DA FAMIÍLIA PADILHA

BRASÃO DA FAMIÍLIA PADILHA
ESPANHA-PORTUGAL

BRASÃO DA FAMILIA FERREIRA

BRASÃO DA FAMILIA FERREIRA
PORTUGAL

TRANSCENDENDO

TRANSCENDENDO
EU PREFIRO SER UMA METAMORFOSE AMBULANTE, DO QUE TER AQUELA VELHA OPINIÃO FORMADA SOBRE TUDO.........
Powered By Blogger

ordem das postagens

  • ▼  2014 (2)
    • ▼  abril (2)
      • Rubem Alves - Frases "Enganam-se aquel...
      • sonhar um sonho impossivel, mas o que sonhar se nà...
  • ►  2013 (1)
    • ►  março (1)
  • ►  2012 (47)
    • ►  julho (5)
    • ►  junho (3)
    • ►  maio (4)
    • ►  abril (11)
    • ►  março (10)
    • ►  fevereiro (3)
    • ►  janeiro (11)
  • ►  2011 (249)
    • ►  dezembro (7)
    • ►  novembro (4)
    • ►  outubro (13)
    • ►  setembro (21)
    • ►  agosto (33)
    • ►  julho (19)
    • ►  junho (19)
    • ►  maio (24)
    • ►  abril (24)
    • ►  março (23)
    • ►  fevereiro (34)
    • ►  janeiro (28)
  • ►  2010 (299)
    • ►  dezembro (11)
    • ►  novembro (4)
    • ►  outubro (23)
    • ►  setembro (27)
    • ►  agosto (21)
    • ►  julho (50)
    • ►  junho (66)
    • ►  maio (21)
    • ►  abril (32)
    • ►  março (32)
    • ►  fevereiro (4)
    • ►  janeiro (8)
  • ►  2009 (42)
    • ►  dezembro (12)
    • ►  outubro (11)
    • ►  setembro (15)
    • ►  julho (1)
    • ►  junho (3)

postagens

  • OUTONO (7)

Seguidores

experiencias holisticas

Inscrever-se

Postagens
Atom
Postagens
Comentários
Atom
Comentários
 
Copyright © transcendendo........ All rights reserved.
Blogger templates created by Templates Block
Wordpress theme by Uno Design Studio